sábado, novembro 14, 2015

uToPiAs (paris)

Deito a cabeça na almofada vestida de branco. Lá fora o mundo grita e sangra as lágrimas que não pensávamos que pudessem chover. 
A inquietação espreita à porta do quarto, transfigurando as sombras que se erguem em mim. 

Procuro a tua mão, para me acalmar, sabendo tão bem que aqui não está. 
O silêncio das mortes, que sei, acabaram de nascer, ecoa nas minhas ilusões. 

Procuro o teu corpo, para me proteger, ainda que saiba que não o vou encontrar. 
A solidão das ruas arrefece o meu coração e esta cama vestida de branco onde, sozinha, me deito. 

Procuro as tuas palavras para me aninhar, mas não chegam com o luar que me olha pela janela.

Deito a cabeça na almofada vestida de branco. 
Lá fora a morte cobre a lua e, como num nevoeiro cerrado, deixo de ver o lado de lá da ponte. 

Dou-me a mão enquanto me deito abraçando as pernas dobradas junto ao peito. 

Fecho os olhos e digo baixinho, quase em surdina, "dorme bem"... 



Liliana




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