Há sempre o dia depois
Há sempre a manhã seguinte
que tráz na aurora
os cheiros
os sons
os movimentos
que nos levaram até...
ao dia depois
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a palavra que vem
Há sempre a escolha
de dizermos ou não
como chegámos
o que demos
quanto recebemos
para tentarmos chegar até...
à palavra que vem
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a espera
Há sempre o silêncio
que nos pára em frente
do espelho
do ontem
da dúvida
de como agir até...
superar a espera
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Liliana Lima
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quarta-feira, abril 03, 2019
AMAnhã
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espelho,
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Liliana,
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silêncio
sábado, fevereiro 09, 2019
estOU AQUI
Existo de verdade
Sim
Do lado de cá do espelho,
onde te vejo olhar para mim
e para ti
Estou no reflexo que aparece apenas
quando te aproximas
de mão dada a mim
E é por existires de verdade deste lado
onde nos olhamos
sem nos vermos espelhados,
que eu estou aqui
Existo de verdade
Sim
Para cá dos arco-íris que procuro
no céu como um sinal
que me levará(ou)
até ti
Entre as cores que escorrem
por todas as ruas da cidade
"em que te procuro",
colorida, estou
aqui
E mesmo quando não vejo os arcos
que sei nascer a cada momento,
estou na linha onde se deita
o teu mar
no meu céu
Existo de verdade
Sim
Do lado de cá do arco-íris
e por entre as cores do (teu)
espelho
Liliana Lima
Sim
Do lado de cá do espelho,
onde te vejo olhar para mim
e para ti
Estou no reflexo que aparece apenas
quando te aproximas
de mão dada a mim
E é por existires de verdade deste lado
onde nos olhamos
sem nos vermos espelhados,
que eu estou aqui
Existo de verdade
Sim
Para cá dos arco-íris que procuro
no céu como um sinal
que me levará(ou)
até ti
Entre as cores que escorrem
por todas as ruas da cidade
"em que te procuro",
colorida, estou
aqui
E mesmo quando não vejo os arcos
que sei nascer a cada momento,
estou na linha onde se deita
o teu mar
no meu céu
Existo de verdade
Sim
Do lado de cá do arco-íris
e por entre as cores do (teu)
espelho
Liliana Lima
quarta-feira, setembro 19, 2018
comunHÃO
Há o mar e o Sol que se esconde no horizonte
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
E há um espelho que mostra tudo o que não queremos esconder
E um café bebido em profunda comunhão
Há a surpresa inicial que se repete, devagar
Há o mar e o Sol que nos cumprimenta
Há o inesperado e tudo o que nos é natural
E há um copo partilhado em profunda comunhão
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
Há um longo ronronar que faz ecoar o silêncio
Há um espelho que se esconde para não incomodar
E um beijo antecipado em profunda comunhão
Liliana Lima
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
E há um espelho que mostra tudo o que não queremos esconder
E um café bebido em profunda comunhão
Há a surpresa inicial que se repete, devagar
Há o mar e o Sol que nos cumprimenta
Há o inesperado e tudo o que nos é natural
E há um copo partilhado em profunda comunhão
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
Há um longo ronronar que faz ecoar o silêncio
Há um espelho que se esconde para não incomodar
E um beijo antecipado em profunda comunhão
Liliana Lima
sexta-feira, agosto 25, 2017
SEGUndos
Vejo
tudo centésimos de segundos antes de acontecer
E saio
de dentro de mim para me defender
Mas fico
imóvel, parada num tempo que não quero ver
Retiro
tudo de mim para fora da cena
E olho
para dentro dela, de fora, como num teatro de marionetas
Fecho
os sentimentos e as emoções no local mais escondido em mim, congelada na peça
E olho
para dentro dela, de fora, o mais friamente que consigo
Gravo
toda a acção de todos os actos que se seguirem
E revivo tudo
já de fora, segundos, minutos, semanas às vezes, depois da peça sair de cena
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Assusto-me
quando deixo escapar os milésimos de segundo de segurança
E não consigo sair
de mim, e deixar de sentir, e virar as costas, e defender-me a tempo
E então absorvo
todo o guião como barro girando que se vai moldando pelas mãos do artesão
E então salto
para outros filmes qual Alice caindo noutra dimensão
E então não controlo
a realidade que vivo, porque no palco um labirinto de espelhos faz-me perder de mim
E então assusto-me
com esta montagem desordenada que, tantas vezes, ultrapassa o que, na verdade, se passa nesses milésimos de segundo
Vivo
todas as cenas de uma só vez
Re.ajo
de acordo com o tamanho dos moinhos que rodam dentro de mim
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Liliana Lima
tudo centésimos de segundos antes de acontecer
E saio
de dentro de mim para me defender
Mas fico
imóvel, parada num tempo que não quero ver
Retiro
tudo de mim para fora da cena
E olho
para dentro dela, de fora, como num teatro de marionetas
Fecho
os sentimentos e as emoções no local mais escondido em mim, congelada na peça
E olho
para dentro dela, de fora, o mais friamente que consigo
Gravo
toda a acção de todos os actos que se seguirem
E revivo tudo
já de fora, segundos, minutos, semanas às vezes, depois da peça sair de cena
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Assusto-me
quando deixo escapar os milésimos de segundo de segurança
E não consigo sair
de mim, e deixar de sentir, e virar as costas, e defender-me a tempo
E então absorvo
todo o guião como barro girando que se vai moldando pelas mãos do artesão
E então salto
para outros filmes qual Alice caindo noutra dimensão
E então não controlo
a realidade que vivo, porque no palco um labirinto de espelhos faz-me perder de mim
E então assusto-me
com esta montagem desordenada que, tantas vezes, ultrapassa o que, na verdade, se passa nesses milésimos de segundo
Vivo
todas as cenas de uma só vez
Re.ajo
de acordo com o tamanho dos moinhos que rodam dentro de mim
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Liliana Lima
quarta-feira, setembro 14, 2016
n.i.n.h.o.s
Ninhos de ideias escondidos nos ramos mais altos
Ovos onde se geram as vontades e nascem os quereres
Palavras que não dizem o que querem dizer
E espelhos que apenas reflectem metade do que se é
Árvores que não consigo subir
Ideias fechadas dentro da casca
Espelhos que não me querem ver
Ninhos de ideias que não consigo ver
Vontades que não posso conhecer
Palavras que não se deixam dizer
Liliana
segunda-feira, setembro 05, 2016
MeRiDiAnO
Sem margem de erro, a minha rota leva-me sempre ao meridiano de mim mesma. Esta linha colorida que dança entre o cinza e o rosa que sou e me mergulha numa maré inconstante. A linha imaginária que liga a figura imaginada de mim e do seu contrário, que afinal também sou.
Podia jurar que quando me lanço ao mar levo a bússola e a rota delineada nas cores mais claras de mim. E de repente uma derrapagem vinda do nada, ou do tudo que se escondia no fundo do mar...
Podia jurar que ao sair levo os sapatinhos vermelhos bem aconchegados aos pés. Mas uns passos mais apressados e uma "pedra no meio do caminho", uns dias inesperada, outros dias tão previsível...
Podia jurar que sempre a vontade de me conter, de me calar, de me acalmar. Mas no lado de lá do espelho, eu, ou o contrário, a chorar, a gritar, a resmungar...
Sem margem de erro a minha rota leva-me sempre ao meridiano de mim mesma. Semi-círculo que me circunda nestes dois tons com que me pinto, rosa e cinza. Fé e medo. Paixão e frieza. Linha nascida numa corrente inquieta, que nasce e desagua dentro do meu peito, e me percorre o corpo, alterando-me a corrente sanguínea à força das vontades duma força que desconheço.
Liliana
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sapatinhos vermelhos,
sapatos vermelhos,
sombras
segunda-feira, agosto 15, 2016
Pra ia
Escorre-me a areia por entre os dedos ao sabor do vento
E no entanto podia jurar que ainda agora a tua mão na minha
O Sol consome todo o horizonte com o virar da ampulheta
São corpos recortados no prateado intenso que invadem a praia
Figuras indistintas que não consigo nomear
Semi-cerro os olhos doridos com a força da luz para te procurar
E no entanto ainda agora podia jurar que te estava a abraçar
Liliana Lima
segunda-feira, junho 06, 2016
Lou.Cura
Olho através do espelho redondo com uma pega trabalhada em prata e procuro a minha loucura dentro dum chapéu. Os ponteiros lembram-me que as horas fogem de mim e saio com o miúdo pela mão, saltitando pelo jardim de relógio em punho.
As minhas lutas jogam-se num tabuleiro de xadrez interno, onde as regras seguem as vontades voláteis duma rainha que, em mim, grita tão alto que quase deixo de ouvir o mundo fora do espelho.
Sento-me comigo, numa dimensão multi-temporal, e bebo chá com as loucuras passadas enquanto invento novos chapéus para as que estão por vir.
Sei há muito que o impossível é a desculpa que nos contamos, embrulhada num bolinho que nos faz diminuir, ao mesmo tempo que nos enroscamos num canto duma toca onde na verdade acabamos por cair.
O lado de lá(?) espelha o teu sorriso tranquilo, de quem nunca sentiu o cheiro da cola com que se faz um chapéu. Serás capaz de te sentar nesta mesa coberta de toda a loucura que, à hora do chá, se senta comigo?
Apareço e esfumo-me à força das verdades que, de sorriso esvoassante, atiro ao ar em forma de borboletas azuis. Será que me sentes, enrolada no teu pescoço, sussurrando que o caminho que escolhes é indiferente enquanto não souberes para onde queres ir? Conseguirás dar-me a mão e acompanhar-me nesta aventura de loucuras guardadas em castelos de cartas?
O lado de lá(?) espelha os chapéus que guardo em cima do roupeiro. Nunca saio com eles, mas teimo em coleccioná-los, embrulhados em papel de seda ou fechados em caixas redondas de cartão.
No lado de fora da janela voa uma borboleta azul e o relógio canta que são horas de sair. Guardo as cartas na caixa de madeira com um coração vermelho, apago o cachimbo que envolve de fumo a mesa do chá e desapareço por entre a loucura dos dias.
Olho através do espelho redondo com uma pega trabalhada em prata e vejo-te aproximar de chapéu na cabeça.
Liliana
As minhas lutas jogam-se num tabuleiro de xadrez interno, onde as regras seguem as vontades voláteis duma rainha que, em mim, grita tão alto que quase deixo de ouvir o mundo fora do espelho.
Sento-me comigo, numa dimensão multi-temporal, e bebo chá com as loucuras passadas enquanto invento novos chapéus para as que estão por vir.
Sei há muito que o impossível é a desculpa que nos contamos, embrulhada num bolinho que nos faz diminuir, ao mesmo tempo que nos enroscamos num canto duma toca onde na verdade acabamos por cair.
O lado de lá(?) espelha o teu sorriso tranquilo, de quem nunca sentiu o cheiro da cola com que se faz um chapéu. Serás capaz de te sentar nesta mesa coberta de toda a loucura que, à hora do chá, se senta comigo?
Apareço e esfumo-me à força das verdades que, de sorriso esvoassante, atiro ao ar em forma de borboletas azuis. Será que me sentes, enrolada no teu pescoço, sussurrando que o caminho que escolhes é indiferente enquanto não souberes para onde queres ir? Conseguirás dar-me a mão e acompanhar-me nesta aventura de loucuras guardadas em castelos de cartas?
O lado de lá(?) espelha os chapéus que guardo em cima do roupeiro. Nunca saio com eles, mas teimo em coleccioná-los, embrulhados em papel de seda ou fechados em caixas redondas de cartão.
No lado de fora da janela voa uma borboleta azul e o relógio canta que são horas de sair. Guardo as cartas na caixa de madeira com um coração vermelho, apago o cachimbo que envolve de fumo a mesa do chá e desapareço por entre a loucura dos dias.
Olho através do espelho redondo com uma pega trabalhada em prata e vejo-te aproximar de chapéu na cabeça.
Liliana
sábado, dezembro 26, 2015
cinema
Sim, sei como o filme vai acabar. Não o soube imediatamente quando comprei o bilhete e entrei na sala, escura, já com o genérico no grande ecrã. Mas assim que encontrei o meu lugar e me sentei, vi o desfecho atrás do grande plano sobre o meu sentir.
Sim, é verdade que me encostei (encosto) no sofá projectando as cenas de cada capítulo, esperando que desse lado não me digas "corta" de cada vez que te levantas e me dizes adeus. Vou guardando as películas dos dias claros dentro duma lua sempre cheia, para nas noites escuras, iluminar os meus sonhos.
Sim, eu sei que os arco-íris que me transportam para lá da acção fazem parte duma realidade cinéfila pouco fiel à realidade. Reconheço os elementos cénicos no outro lado do espelho e até percebo o guarda-roupa que condiz com os sapatinhos vermelhos.
Mas é nesse filme que sinto o descompassar do palpitar do coração e o calor húmido das imagens sugeridas e até mesmo o amargo de boca que, às vezes, se prolonga até à próxima sessão.
É nele que sou e me dou em todas as sequências e sequelas. E é nele que escolho actuar. E, sei que, nele não se vive só de ilusão.
Mas, sim, sei como o filme vai acabar.
quinta-feira, fevereiro 19, 2015
d_i_a_s
Todos os dias pela manhã, o espelho, altivo e sereno como só um espelho sabe ser, me devolve a realidade do que nele projecto.
Pego nela com todo o carinho e, como quem brinca com legos, moldo-a a meu belo prazer. Construo casas, caminhos e pontes com as cores de que mais gosto e reciclo em forma de árvores e flores as peças cujas arestas se me mostram mais evidentes.
Depois deste exercício diário, despeço-me do espelho na parede ao fundo do quarto e saio para a vida com a minha cidade do faz-de-conta.
Todas as noites quando a lua chega, sentada aos pés da cama, atiro-lhe com as peças que se desmoronaram para dentro da sua serenidade e olho, cansada, para o filme do meu dia.
Na manhã seguinte, reconciliada comigo, com a vida, com o mundo, digo bom dia ao espelho na parede ao fundo do quarto e aguardo a sua resposta.
Todos os dias, altivo e sereno como só um espelho sabe ser, olha-me de lado, reflecte-me de frente e devolve-me a realidade que trago comigo.
Dias há, em que tenho vontade de o contornar, tapá-lo com um pano e sair para a vida sem peças de lego para desmontar.
Dias há, em que me obrigo a olhá-lo, olhos nos olhos, para ver bem o que me mostra e sair para rua com a certeza de levar os sapatos certos nos pés.
Mas a verdade é que, por muito que brinque e jogue, a realidade espreita-me sempre por um qualquer espelho numa qualquer parede.
Alguns conseguem olhá-la desapaixonadamente, sem perigos nem sarilhos, sem paixões nem primaveras.
Alguns chegam ao extremo de a tapar, ignorando tudo o que não querem ver, com todos os riscos dum salto sem rede.
Eu, sei que ali está e até a conheço bem, mas para manter a primavera florida, arrisco jogar com o que é e o que podia ser na mesma mesa.
Todos dias o espelho, altivo e sereno, me devolve a realidade que nele projecto. E todos dias pela manhã, pego nela com todo o carinho, pergunto-lhe que sapatos usar, e moldo-a a meu belo prazer.
Liliana
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