Sentei-me na MARGEM, esgotada, enervada e sem forças para continuar.
Todo o mundo me parecia estar na OUTRA MARGEM.
Mesmo tu, que sentia tocar-me, estavas lá do OUTRO lado.
As vozes chegavam de longe e a cidade parecia desaparecida.
Com o Tejo a desaguar em mim, ouvi a tua voz.
Com a Lua Nova a esconder-se comigo, senti a tua mão.
Com o corpo a tremer num turbilhão de sentimentos, reconheci o teu calor.
Levantei-me, esgotada, dESTA MARGEM.
Olhei à volta e decidi atravessar a ponte para o OUTRO lado e, num só passo, anular as MARGENS.
Liliana Lima
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terça-feira, junho 18, 2019
esta OUTRA margem
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quinta-feira, outubro 18, 2018
que NÃO
Que não penses que, por não falar, não sinto
por não dizer, não questiono
por não escrever, não temo
Encosta-te, mas lembra-te de não esquecer
Que não deixa de ler quem cala
Abraça-me, mas não esqueças de te lembrar
Que não deixa de ouvir quem não escreve
Liliana Lima
por não dizer, não questiono
por não escrever, não temo
Encosta-te, mas lembra-te de não esquecer
Que não deixa de ler quem cala
Abraça-me, mas não esqueças de te lembrar
Que não deixa de ouvir quem não escreve
Liliana Lima
quinta-feira, agosto 30, 2018
REdoMA
Estou presa numa redoma que tinge o mundo dum tom esverdeado
Estou dentro duma casa que se vira do avesso como uma onda que embate no paredão e muda os sentidos e me deixa em contra mão
Sinto uma força de ciclone que me arranca de onde estou e me abandona num mundo sem coração com um colete apertado de lata e um monte de palha no avental
Estou presa numa órbita muito para além da Lua, que me aproxima ou afasta duma terra onde não encontro lugar
Baloiço na corda que me devia equilibrar, mas que não pára e nunca me deixa levantar
Vou de barco sem mastro nem velas nem estrelas para me guiar, vou apesar do medo de nunca saber se, algum dia vou chegar
Tenho a chuva toda da Terra agarrada aos olhos que, cansados, me pedem para simplesmente a soltar
Construí um muro feito de legos para me proteger do sismo que sinto cá dentro e que, só pode vir de fora, seja do ontem ou do agora
Decidi que não posso pedir desculpa a cada hora por actos ou omissões que me vejo fazer como uma marioneta nas mãos de um qualquer alguém
Estou presa numa redoma que, com a água da chuva, tinge o mundo dum tom esverdeado
Vivo numa casa ao contrário que me enjoa e desalinha
Aperto com força, tanta força, este tornado que vive em mim e que acredito capaz de destruir até a muralha mais longa
Vejo a Lua numa dança elíptica e com ela aprendo a nascer e a morrer em volta da mesma terra
Não me ponho em pé com medo dos solavancos com que a vida me embala
Navego pelos oceanos num barco de papel feito das muitas linhas que escrevo e acabo por riscar
Construo castelos de areia, mil e uma vezes levados pelo mar
E peço desculpa por tudo o que digo mesmo depois de avisar que o guião que se me cola à pele, poderia magoar
Estou presa numa redoma
Estrou presa dentro de mim
Liliana Lima
Estou dentro duma casa que se vira do avesso como uma onda que embate no paredão e muda os sentidos e me deixa em contra mão
Sinto uma força de ciclone que me arranca de onde estou e me abandona num mundo sem coração com um colete apertado de lata e um monte de palha no avental
Estou presa numa órbita muito para além da Lua, que me aproxima ou afasta duma terra onde não encontro lugar
Baloiço na corda que me devia equilibrar, mas que não pára e nunca me deixa levantar
Vou de barco sem mastro nem velas nem estrelas para me guiar, vou apesar do medo de nunca saber se, algum dia vou chegar
Tenho a chuva toda da Terra agarrada aos olhos que, cansados, me pedem para simplesmente a soltar
Construí um muro feito de legos para me proteger do sismo que sinto cá dentro e que, só pode vir de fora, seja do ontem ou do agora
Decidi que não posso pedir desculpa a cada hora por actos ou omissões que me vejo fazer como uma marioneta nas mãos de um qualquer alguém
Estou presa numa redoma que, com a água da chuva, tinge o mundo dum tom esverdeado
Vivo numa casa ao contrário que me enjoa e desalinha
Aperto com força, tanta força, este tornado que vive em mim e que acredito capaz de destruir até a muralha mais longa
Vejo a Lua numa dança elíptica e com ela aprendo a nascer e a morrer em volta da mesma terra
Não me ponho em pé com medo dos solavancos com que a vida me embala
Navego pelos oceanos num barco de papel feito das muitas linhas que escrevo e acabo por riscar
Construo castelos de areia, mil e uma vezes levados pelo mar
E peço desculpa por tudo o que digo mesmo depois de avisar que o guião que se me cola à pele, poderia magoar
Estou presa numa redoma
Estrou presa dentro de mim
Liliana Lima
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quinta-feira, junho 07, 2018
REALidade
Deixei de te dizer de mim
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
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quarta-feira, abril 18, 2018
soL de priMAveRA
O vazio enche os silêncios que se sentam comigo ao Sol tímido de Primavera.
Falo com ele como se contigo converssasse. Às vezes é mais fácil dizer-me assim, aos silêncios. Deles não espero resposta e por isso não me desapontam, nem pelos vazios que acordam, nem por não me entenderem o olhar, ou não perceberam o ton de voz, ou não anteverem o que me faz falta (que nem sempre é animar a malta).
Deixo o sol, atrasado, aquecer-me o corpo, cansado, enquanto procuro a tua mão nos silêncios que me abraçam por entre o vazio que, aqui, se senta comigo.
Liliana
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sexta-feira, novembro 10, 2017
pA.cI.êN.cI.A
pa·ci·ên·ci·a
(latim patientia, -ae)
substantivo feminino
1.
Capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades.
2.
Sossego com que se espera uma coisa desejada.
3.
Perseverança.
4.
Demora nas coisas que se deviam executar prontamente.
5.
Sofrimento em pontos de honra.
6.
Passatempo ou jogo de uma pessoa só.
7.
[Botânica]
Labaça.
interjeição
8.
Designativa de resignação, conformidade.
____________________________________
pA.cI.êN.cI.a
Paciência, pedes-me tu.
Outra vez. Mais uma vez.
Toda a do mundo
digo-te eu. Repito eu.
Quanta paciência o mundo tem?
Pergunto eu a Jó
que me olha com desdém
ao cimo de uma nova subida.
Jogo de cartas, diz minha mãe
sorrindo debaixo de uma libelinha.
Sofrimento, sofrimento, sofrimento...
Procuro o sossego da espera.
Debaixo da almofada
não encontro nada.
As bolinhas brancas deste frasco fechado na gaveta
recusam-se a tolerar
a dor de cabeça que se demora
debaixo de uma libelinha.
Sofrimento, sofrimento, sofrimento...
Paciência, dizes-me tu.
Jogo de cartas, sorri minha mãe.
Peço a Jó que me deixe jogar
a sua resignação
no tabuleiro do meu tempo.
Olha-me com desdém
ao fundo de mais uma hora
que passa a ser dia
e se repete em semanas
que se demoram
nas Damas de copas
que conversam debaixo de uma libelinha.
Resignação, resignação, resignação
Jogo de cartas, repete minha mãe
Liliana Lima
domingo, novembro 05, 2017
chuVA
Não te vejo por entre a chuva que cai nos espaços das linhas que seguram as palavras que repito.
Lê!
Não te sinto por entre as letras que formam as palavras que repetidamente te explico.
Ouve!
Não te oiço por entre os vocábulos, vazios de tantas vezes repetidos, que me esforço por escrever.
Sente!
Não te encontro por entre os sentimentos que se repetem como a chuva que já me banha muito para além dos olhos.
Entende!
Não te peço outra vez que me entendas, se já to repeti vezes sem conta.
Vê!
Não te explico nem mais uma palavra, destas linhas em que me repito letra após letra após dia após ano (já lá vão quantos?!)
Pára!
Não me vejo por entre a chuva que cai nos espaços das linhas que, repetidamente, seguram as mesmas palavras que novamente te dirijo.
Olha!
Não me deixa o cansaço desta repetição
Não encontro a saída de outra repetida discussão
Não consigo fugir ao repetir deste sentimento de frustração
Não me deixa o cansaço doutra repetição
Não te encontro no final desta repetida frustração
Não nos vejo por entre a chuva que cai...
Liliana
Lê!
Não te sinto por entre as letras que formam as palavras que repetidamente te explico.
Ouve!
Não te oiço por entre os vocábulos, vazios de tantas vezes repetidos, que me esforço por escrever.
Sente!
Não te encontro por entre os sentimentos que se repetem como a chuva que já me banha muito para além dos olhos.
Entende!
Não te peço outra vez que me entendas, se já to repeti vezes sem conta.
Vê!
Não te explico nem mais uma palavra, destas linhas em que me repito letra após letra após dia após ano (já lá vão quantos?!)
Pára!
Não me vejo por entre a chuva que cai nos espaços das linhas que, repetidamente, seguram as mesmas palavras que novamente te dirijo.
Olha!
Não me deixa o cansaço desta repetição
Não encontro a saída de outra repetida discussão
Não consigo fugir ao repetir deste sentimento de frustração
Não me deixa o cansaço doutra repetição
Não te encontro no final desta repetida frustração
Não nos vejo por entre a chuva que cai...
Liliana
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