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quinta-feira, abril 26, 2018

.AL.vo.ra.DA.

A cada alvorada algo em mim se apaga
O caminho não foi de tijolos amarelos construido 
E o meu vestido já não é cor-de-rosa

Sabias que cheguei cá muito antes de ti?
Sim, o banco onde te sentas fui eu que o construí
Carreguei cada mágoa durante a madrugada
E fiz delas as tábuas com que me protegi

A cada alvorada algo em mim se perde
A terra em que ando descalça magoa-me os pés
Está coberta de pedras trazidas por outras marés

Sabias que todas as flores que nascem no caminho
Fui eu que as plantei, semente a semente
Regadas com as lágrimas dos anos
Que outros barcos levaram na corente 

A cada alvorada algo de mim se tolda
Uma seda branca que me abafa e amordaça
Enrolando-me numa rede que me envelhece e descolora

Sabias que já não sou quem tu conheceste?
Deste conta que a areia caiu tantas vezes em vão?
Se antes sabia o que era sem sombra nem dúvida
Hoje tudo não passa duma ampulheta que rodo na minha mão

A cada alvovarada algo em mim se apaga

Liliana Lima



quarta-feira, abril 18, 2018

soL de priMAveRA

O vazio enche os silêncios que se sentam comigo ao Sol tímido de Primavera.
Falo com ele como se contigo converssasse. Às vezes é mais fácil dizer-me assim, aos silêncios. Deles não espero resposta e por isso não me desapontam, nem pelos vazios que acordam, nem por não me entenderem o olhar, ou não perceberam o ton de voz, ou não anteverem o que me faz falta (que nem sempre é animar  a malta).
Deixo o sol, atrasado, aquecer-me o corpo, cansado, enquanto procuro  a tua mão nos silêncios que me abraçam por entre o vazio que, aqui, se senta comigo.

Liliana