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sábado, maio 25, 2019

Vamos até ao rio, Alberto?

Nunca mais fui ver o Tejo.
Costumava ir contigo para lhe falar de mim. 

Sabemos que a Terra gira e com ela as vontades e intenções e necessidades. 
O Tejo perdido nos afazeres, que deixou de ser meu para passar a ser teu, nunca mais fui ver.

E faz-me falta, disso sabes tu que me levavas até à margem de cá e me deixavas reter as diferentes cores e disposições que nele ondulam.

Sabemos que quando te dei AO rio numa manhã fria de Sol, te dei O Tejo. Ficando, por isso, mais longe do "mais belo rio que corre na minha aldeia".

Nunca mais fui ver o Tejo. 
Vamos ver o rio num destes dias? Podemos não pensar em nada e ficar assim, "só ao pé dele" (só ao pé de ti).

Liliana Lima 

* Alberto Caeiro
in Guardador de Rebanhos 
Átila, 1993



quarta-feira, abril 03, 2019

AMAnhã

Há sempre o dia depois
Há sempre a manhã seguinte
que tráz na aurora
os cheiros
os sons
os movimentos
que nos levaram até...
ao dia depois

Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere 
por este dia que é também amanhã

Há sempre a palavra que vem
Há sempre a escolha
de dizermos ou não
como chegámos
o que demos
quanto recebemos
para tentarmos chegar até...
à palavra que vem

Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere 
por este dia que é também amanhã

Há sempre a espera
Há sempre o silêncio
que nos pára em frente 
do espelho
do ontem
da dúvida
de como agir até...
superar a espera

Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere 
por este dia que é também amanhã

Liliana Lima


sábado, setembro 08, 2018

s.AÍ.ste

Vais sair

Ou melhor já saiste
Para dentro daquele tempo
onde não há espaço
Para mim

Saíste novamente
sem avisar que irias entrar
nesse espaço onde não há tempo
Para mim

Vais sair e eu devia perceber
que deixei de estar
Dentro de ti

Devia saber que ao sair te queres
inteiro, vazio, com a possibilidade única
De ti

Vais sair
ou melhor, já saiste

E eu entrei, aqui


Liliana Lima


quinta-feira, agosto 30, 2018

REdoMA

Estou presa numa redoma que tinge o mundo dum tom esverdeado 
Estou dentro duma casa que se vira do avesso como uma onda que embate no paredão e muda os sentidos e me deixa em contra mão
Sinto uma força de ciclone que me arranca de onde estou e me abandona num mundo sem coração com um colete apertado de lata e um monte de palha no avental
Estou presa numa órbita muito para além da Lua, que me aproxima ou afasta duma terra onde não encontro lugar
Baloiço na corda que me devia equilibrar, mas que não pára e nunca me deixa levantar
Vou de barco sem mastro nem velas nem estrelas para me guiar, vou apesar do medo de nunca saber se, algum dia vou chegar
Tenho a chuva toda da Terra agarrada aos olhos que, cansados, me pedem para simplesmente a soltar
Construí um muro feito de legos para me proteger do sismo que sinto cá dentro e que, só pode vir de fora, seja do ontem ou do agora
Decidi que não posso pedir desculpa a cada hora por actos ou omissões que me vejo fazer como uma marioneta nas mãos de um qualquer alguém 
Estou presa numa redoma que, com a água da chuva, tinge o mundo dum tom esverdeado 
Vivo numa casa ao contrário que me enjoa e desalinha
Aperto com força, tanta força, este tornado que vive em mim e que acredito capaz de destruir até a muralha mais longa
Vejo a Lua numa dança elíptica e com ela aprendo a nascer e a morrer em volta da mesma terra
Não me ponho em pé com medo dos solavancos com que a vida me embala
Navego pelos oceanos num barco de papel feito das muitas linhas que escrevo e acabo por riscar
Construo castelos de areia, mil e uma vezes levados pelo mar
E peço desculpa por tudo o que digo mesmo depois de avisar que o guião que se me cola à pele, poderia magoar
Estou presa numa redoma
Estrou presa dentro de mim

Liliana Lima


sexta-feira, agosto 24, 2018

não CONSIGO

Não consigo dizer que, não consigo
E enrolo-me numa teia de histórias que separo por cores

Não consigo dizer que, não consigo
E afundo-me num pântano escuro onde não vejo nada

Mas a ti, digo
Não sei pintar as palavras sem que as percebas falsas
Não sei fingir o sorriso que conheces de cor

Mas a ti, digo
Que não consigo avançar
Que não consigo (re)começar
Que nem me consigo levantar

Não consigo dizer que, não consigo
Mas a casa por arrumar
E os filhos para almoçar
E as certezas que devo inspirar
E as peças com que devo jogar
E a vida, enfim, por encarar

Levanto-me
Visto o vestido mais leve
Penteio aquele olhar
Reinvento aquele sorriso
E...
Não consigo dizer
O que dentro de mim está a gritar

Não consigo continuar


Liliana Lima


quinta-feira, agosto 23, 2018

UM dia

Um dia, quando deixares de gostar de mim 
Que seja a primeira a saber
Que nada me escondas porque posso chorar 
E mo digas, boca-boca,
Que já não gostas de mim 

Um dia, quando deixares de me querer
Que me digas o nome que em ti suspira 
Que aquece o corpo que ficou marcado em mim
Que o meu lugar, na almofada da tua cama, ocupa

Um dia, quando te libertares de mim
Que eu te veja, pela calçada, a sair
Que te despeças com leve acenar
E te afastes sem desviar olhar

Um dia, quando deixares de gostar de mim
Que eu seja a primeira a sentir
Que deixes a chave de mim, no portão 
E que me sejas meigo no despedir

Um dia, quando deixares de me desejar a mim

Liliana Lima 



domingo, agosto 12, 2018

sabias MEU amor?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E nas noites de Lua Nova, tu sabes,
tudo me parece mais estranho e assustador
todo o mundo parece girar em meu redor
e dos fantasmas que tão bem conheces.
Consegues alcançar o fumo que assalta o meu olhar?
Estás aí sequer? 
Ou já dormes enrolado nas velas dos teus moinhos vento?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
O mar, desapareceu num horizonte profundo 
e eu, (só tu sabes) que não gosto do escuro,
procurei na forma certa das estrelas o caminho
para me encontrar.
Dás-me a mão para me acalmar?
Tens calma sequer?
Ou procuras também a tua noite iluminar?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E as luzes das casas, dos barcos, das fábricas,
parecem fugir de mim apenas para me assustar
e tu sabes que sem ver a estrada me sinto afundar.
Chamas o meu nome, para te encontrar?
Falas comigo sequer?
Ou estás ocupado com os teus fantasmas a conversar?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E eu, tu sabes, não consigo dormir. 
Gostava de estar ao lado e ver os teus olhos sorrir.

Liliana Lima 


sexta-feira, agosto 10, 2018

os DIAS em que (não) SOMOS

Olho para o jardim 
onde a vida (de)corre dentro 
da normalidade dos dias quentes.

Lá fora uma leve brisa 
faz as folhas das árvores dançar.
Cá dentro uma ventania
despenteia ideias 
e desarruma sentimentos. 

Chegam os dias em que somos,
cada um 
e deixamos de ser 
nós.

Vês o Sol que anuncia  
a sua chegada no alto de cada
alvorada?

Ouves o mar que canta
a morte anunciada na volta 
de cada onda? 

Olho o jardim e sei-te saíndo,
de malas feitas e vontade de silêncio.
fugindo dos dias, cansados, extenuados.

Lá fora o dourado da tarde
pinta a vida que vive no jardim.
Cá dentro um crescente vazio
afoga as palavras nascem em mim.

Vês as estrelas, altas
que te dizem a morada
das histórias em que estou?

Ouves os aviões, rasteiros
que abafam a vida que não há
quando estamos sós?

Chegam os dias em que somos,
cada um 
e deixamos de ser 
nós.

Liliana

 

quarta-feira, julho 18, 2018

minha vOZ

Solto o meu canto acordado por ti
Canto este sonho tão vivo em mim
Vives na minha voz

Banho-me neste rio que canto contigo
Abraço este canto que fala de nós 
Danço este beijo que te chama comigo 

Solto o meu canto acordado por ti
Canto este sonho tão vivo em mim 
Vives na minha voz 

Onde me abraço 
Onde te beijo

Banha-te neste rio que cantas comigo
Abraça este canto que fala de nós 
Dança este beijo que me chama contigo

Soltas o teu canto acordado por mim
Cantas este sonho que vive por si
Vives na minha voz 

Onde te canto
Onde te solto


Liliana Lima 



sábado, junho 30, 2018

hoRas

Nem todos os dias a maré sobe e me beija os pés
Nem todas as noites a lua brilha no leito do rio

Há horas que se demoram
No sabor acre da tua ausência
No tocar áspero do teu silêncio
Na impensável ideia da tua indiferença

Nem todos os dias o meu rumo me leva ao Tejo
Nem todas as noites me descalço e entro no seu leito

Há horas que se demoram nos caminhos das marés


Liliana Lima


sexta-feira, junho 29, 2018

dispo-ME

Dispo-me para ti
para que lumines o meu corpo
com as cores do teu olhar

E depois de me pintares
abraça-me no nosso mundo
com a cor dos teus olhos

E enrosca-me juntinho a ti
para que adormeça em paz

Lili


quarta-feira, junho 13, 2018

promESSA

Quando me ofereceste o vaso com um laço e um beijo, vi que dos quatro pés que trazia plantados, dois eram rosas vermelhas e outros dois eram, redundantemente, cor-de-rosa.

Escolhi um novo vaso, "a sério", de barro para deixar transpirar a terra e juntei fertilizante. E esperei.

Dois dos pés deixaram cair as rosas que traziam ainda por abrir e as outras choveram pétalas em excesso. Tirei todos os ramos mortos e folhas secas. E esperei. 

Quando o sol resolveu espreitar reguei e vi que, três dos quatro pés eram habitados por uns estranhos bichos microscópicos que os rodeavam numa espécie de rede  quase transparente. A medo, usei o insecticida em toda a planta. E esperei.

Com a mesma teimosia com que o Sol deixou de brilhar os bichos, quase microscópicos, mantiveram-se tecendo redes de comunicação entre folhas e ramos, apesar dos sprays e das lavagens. Cortei os três ramos quase pela raiz. E esperei.

O único pé que não cortei, continuou a crescer, alheio à aridez envolvente. Vi o nascer de uma promessa de botão. E esperei.

Hoje, com o Sol finalmente a banhar o vaso de barro, o botão abriu em rosa e, a toda a volta dos ramos cortados, nasceram pequenas folhas dum verde muito claro.

Olhei para a rosa e para os futuros ramos e para toda a simbologia que ali cresce neste preciso momento e sorri. Tirei uma fotografia, e registei a memória "para mais tarde recordar". E espero.

Liliana Lima 


sábado, junho 09, 2018

chEIRO

Alguma coisa sem importância fez-me pensar em ti. Pintei-te dentro de mim, bem real, bem claro. Sentado na sala em frente à televisão. Encostado, descontraído.

Alguma coisa sem importância lembrou-me de ti, de forma bem clara e bem real. Com os olhos fechados, num repente, parecia ter-te aqui, na sala, tão perto que o teu cheiro me invadiu os sentidos e baralhou as realidades.

Nunca me tinha acontecido uma memória avivar uma sensação tão real, tão clara. Já te tenho dentro de mim de tal forma vivo que, mesmo sem estares te sinto, te antevejo as reacções e até te cheiro ao meu lado.

Uma coisa qualquer, sem qualquer importância, acendeu no meu corpo o cheiro, único, do teu. Será que, por aí, sentes o meu?...

Liliana Lima




quinta-feira, junho 07, 2018

REALidade

Deixei de te dizer de mim
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar

Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada

Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua

E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim

Liliana Lima


sábado, junho 02, 2018

flor.es

Se um dia eu te der flores,
vai ser num
vaso pronto
a plantar.
Serão rosa-velho,
pequeninas e só te
chamarão pr'ás
regar.

Se um dia eu te der flores,
vai ser
numa manhã para
lembrar.
Serão muitas,
abertas,
de pétalas brancas
e, no teu
canteiro,
eu mesma
as vou
guardar.

Se um dia eu te der flores, 
vai ser ainda 
por semear. 
Estarão 
numa caixinha 
fechada
à espera que, 
delas, 
te decidas
lembrar.

Se um dia eu te der flores, 
tenho certeza, 
que vais por elas 
olhar. 

É que, 
nos dias em que me deste flores, 
em botão, vasos 
ou ramos,
plantadas, secas 
ou regadas, 
por mim,
todas elas 
são para 
acarinhar.


Liliana Lima 



SuSpiro

No silêncio das palavras

Abraço
Vontade
Beijo
Tejo

Abraço
Querer
Tejo
Beijo

Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço

Me perco e nos encontro

Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo

Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço

Me sinto e nos uno

No silêncio das palavras


Liliana Lima


domingo, maio 20, 2018

pa.REDE

Qualquer dia vou pendurar um jardim na parede. Quero flores lilás em cima para lembrar o céu e muitas folhas verdes a descer numa cascata salpicada de botões amarelos até desaguar num manto branco que lembrará nuvens, sentadas na terra. E sim, também vos quero lá, papoilas de mim, desenhando a vermelho o caminho concêntrico onde te perco e me encontro. 

Quando eu tiver um jardim na parede, ficará logo à entrada, para todos o verem e por ele passearem. É que uma parede assim, cheia de vida, olha-nos olhos-nos-olhos a cada encontro e diz-nos tudo o que a vida não diz ou esconde debaixo da terra.

Quando tiver um jardim pendurado, convido-te para um chá. E logo à entrada, antes de qualquer palavra, ficarás a saber tudo o que não te sei contar. É que um jardim assim, com o céu colado ao tecto, alto que é, e uma manta branca a tocar o chão, deixa à vista o sangue que escondemos de cada ferida que se fez cicatriz e que, juntas, desenham o caminho concêntrico onde me perco e te encontro. 

Qualquer dia, quando eu tiver um jardim na parede da entrada, deixará de haver entre-linhas, ausências ou silêncios confusos. Porque as flores tudo mostram nas suas pétalas e nada escondem por entre as folhas. E então conseguirei ver, desenhado a vermelho, o caminho concêntrico onde não me perderei e, com certeza, te encontrarei. Quando eu tiver um jardim pendurado na parede...

Lili


domingo, abril 29, 2018

sOMBRA

Não digas que já não vês a sombra,
tem-na colada aos pés e às mãos,
cosida com fio de pesca ao coração.

Não te zangues quando a vejo
à tua procura, atrás das colunas,
por entre as caixas, acordando os medos.

Não esperes que não a oiça chamar-te
à janela, do lado de lá da noite,
em vontades inquietas, amordaçando os sonhos.

A sombra a que estás preso
das mãos aos pés,
tolda-te os sentidos
e traz-nos sempre ao início.

Acende a luz
Levanta-te
Liberta os fantasmas
E deixa-nos voar

Lili


fecha os OLHOS

Fecha os olhos para que se apague a luz e tudo o que parece possa ser.

Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.

Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.

Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.

Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.

E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.

Lili


quinta-feira, abril 26, 2018

.AL.vo.ra.DA.

A cada alvorada algo em mim se apaga
O caminho não foi de tijolos amarelos construido 
E o meu vestido já não é cor-de-rosa

Sabias que cheguei cá muito antes de ti?
Sim, o banco onde te sentas fui eu que o construí
Carreguei cada mágoa durante a madrugada
E fiz delas as tábuas com que me protegi

A cada alvorada algo em mim se perde
A terra em que ando descalça magoa-me os pés
Está coberta de pedras trazidas por outras marés

Sabias que todas as flores que nascem no caminho
Fui eu que as plantei, semente a semente
Regadas com as lágrimas dos anos
Que outros barcos levaram na corente 

A cada alvorada algo de mim se tolda
Uma seda branca que me abafa e amordaça
Enrolando-me numa rede que me envelhece e descolora

Sabias que já não sou quem tu conheceste?
Deste conta que a areia caiu tantas vezes em vão?
Se antes sabia o que era sem sombra nem dúvida
Hoje tudo não passa duma ampulheta que rodo na minha mão

A cada alvovarada algo em mim se apaga

Liliana Lima