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quinta-feira, maio 16, 2019

MEMÓRIAS... do futuro

Lembras-te que os caminhos 
que hoje escolhemos 
amarelos e seguros amanhã se continuam a desenhar?

Lembras-te de cada beijo 
que as nossas bocas já têm 
para dar?

Lembras-te das mãos 
que ontem aprendiam a silhueta um do outro 
e já nos afagam nas noites que vão chegar?

Lembras-te das manhãs
que vamos acordar?

Lembras-te como o teu corpo
húmido e cansado de trocar de corpo um com o meu 
se enrosca em mim nos lençóis que vamos comprar?

Lembras-te das palavras 
que em todas as conversas que partilhamos
já repetes de hoje em diante?

Lembras-te de cada zanga 
que trocamos amiúde
por carícias futuras?

Lembras-te das velas
que vamos acender?

Lembras-te dos brincos
a condizer com o anel
que me vais oferecer?

Lembras-te das canções
que vais compor com os poemas 
que vou escrever?

Lembras-te das lágrimas 
que no teu ombro
novamente vou secar?

Lembras-te das noites
que vamos embalar?

Lembras-te dos sorrisos
que um com o outro
vamos trocar?

Lembras-te dos tantos concertos, filmes, peças
que de mãos dadas
vamos partilhar?

Lembras-te dos caminhos
sempre amarelos e seguros
que vamos calcorrear?

Lembras-te dos dias e das noites
que vamos viver?

Lembras-te de te lembrares
das memórias conjuntas
que vamos construir?

Liliana Lima





quarta-feira, junho 13, 2018

promESSA

Quando me ofereceste o vaso com um laço e um beijo, vi que dos quatro pés que trazia plantados, dois eram rosas vermelhas e outros dois eram, redundantemente, cor-de-rosa.

Escolhi um novo vaso, "a sério", de barro para deixar transpirar a terra e juntei fertilizante. E esperei.

Dois dos pés deixaram cair as rosas que traziam ainda por abrir e as outras choveram pétalas em excesso. Tirei todos os ramos mortos e folhas secas. E esperei. 

Quando o sol resolveu espreitar reguei e vi que, três dos quatro pés eram habitados por uns estranhos bichos microscópicos que os rodeavam numa espécie de rede  quase transparente. A medo, usei o insecticida em toda a planta. E esperei.

Com a mesma teimosia com que o Sol deixou de brilhar os bichos, quase microscópicos, mantiveram-se tecendo redes de comunicação entre folhas e ramos, apesar dos sprays e das lavagens. Cortei os três ramos quase pela raiz. E esperei.

O único pé que não cortei, continuou a crescer, alheio à aridez envolvente. Vi o nascer de uma promessa de botão. E esperei.

Hoje, com o Sol finalmente a banhar o vaso de barro, o botão abriu em rosa e, a toda a volta dos ramos cortados, nasceram pequenas folhas dum verde muito claro.

Olhei para a rosa e para os futuros ramos e para toda a simbologia que ali cresce neste preciso momento e sorri. Tirei uma fotografia, e registei a memória "para mais tarde recordar". E espero.

Liliana Lima