Há sempre o dia depois
Há sempre a manhã seguinte
que tráz na aurora
os cheiros
os sons
os movimentos
que nos levaram até...
ao dia depois
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a palavra que vem
Há sempre a escolha
de dizermos ou não
como chegámos
o que demos
quanto recebemos
para tentarmos chegar até...
à palavra que vem
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a espera
Há sempre o silêncio
que nos pára em frente
do espelho
do ontem
da dúvida
de como agir até...
superar a espera
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Liliana Lima
Mostrar mensagens com a etiqueta silêncio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta silêncio. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, abril 03, 2019
AMAnhã
Labels:
a ti,
amor,
canção,
cheiro,
espelho,
inquietação,
letras em curva,
Liliana,
palavras,
silêncio
sábado, fevereiro 23, 2019
(des)CONSTRUÇÃO
Do tanto que fomos e construímos
Levo os vestidos, dos dias claros junto ao Tejo
Levo os sonhos, três vezes saídos de mim e embalados a dois
Levo os sapatos, os vermelhos com que bati os calcanhares
E deixo as lágrimas, deixo os pilares que mantêm a casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo os casacos, de Inverno que lá fora está frio
Levo todos e cada sorriso que partilhámos, à mesa da cozinha
Levo os livros, partes de mim de que não consigo separar-me
E deixo as angústias, deixo arrumada a casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo o blush, o baton e o rímel preto
Levo a cumplicidade, partilhada numa troca de olhares
Levo os CD's, da música que se canta dentro e fora de mim
E deixo o silêncio, deixo o desencanto intruso nesta casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo as plantas que aprendi a cuidar
Levo o carinho servido num tabuleiro, numa manhã de domingo
Levo as malas, umas dentro das outras, as grande e as pequenas
E deixo as discussões, deixo as palavras amargas que ecoam na casa, que construímos
E deixo os quadros e as panelas
Deixo os sofás e os candeeiros
Deixo as televisões e os pratos
Deixo as estantes e as fotos nas paredes
Agora que abro a porta para sair
Guardo as noites e os beijos
Guardo os jantares e almoços a dois
Guardo os cheiros e os sabores
Guardo os recortes e as memórias
Dum amor que nasceu, cresceu e deu frutos
E, gradual e compassadamente, saiu pelas janelas e desaguou no Tejo
Que o levou nas suas águas e, tenho a certeza que agora
Agora que abro a porta para saír
"o mar / tem mais peixinhos a nadar"
Liliana Lima
Levo os vestidos, dos dias claros junto ao Tejo
Levo os sonhos, três vezes saídos de mim e embalados a dois
Levo os sapatos, os vermelhos com que bati os calcanhares
E deixo as lágrimas, deixo os pilares que mantêm a casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo os casacos, de Inverno que lá fora está frio
Levo todos e cada sorriso que partilhámos, à mesa da cozinha
Levo os livros, partes de mim de que não consigo separar-me
E deixo as angústias, deixo arrumada a casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo o blush, o baton e o rímel preto
Levo a cumplicidade, partilhada numa troca de olhares
Levo os CD's, da música que se canta dentro e fora de mim
E deixo o silêncio, deixo o desencanto intruso nesta casa, que construímos
Do tanto que fomos e construímos
Levo as plantas que aprendi a cuidar
Levo o carinho servido num tabuleiro, numa manhã de domingo
Levo as malas, umas dentro das outras, as grande e as pequenas
E deixo as discussões, deixo as palavras amargas que ecoam na casa, que construímos
E deixo os quadros e as panelas
Deixo os sofás e os candeeiros
Deixo as televisões e os pratos
Deixo as estantes e as fotos nas paredes
Agora que abro a porta para sair
Guardo as noites e os beijos
Guardo os jantares e almoços a dois
Guardo os cheiros e os sabores
Guardo os recortes e as memórias
Dum amor que nasceu, cresceu e deu frutos
E, gradual e compassadamente, saiu pelas janelas e desaguou no Tejo
Que o levou nas suas águas e, tenho a certeza que agora
Agora que abro a porta para saír
"o mar / tem mais peixinhos a nadar"
Liliana Lima
Labels:
amor,
ausências,
casa,
despedida,
Diário de uma depressão,
janela,
letras em curva,
Liliana,
Lisboa,
mar,
palavras,
sapatos vermelhos,
silêncio,
Tejo
sábado, junho 02, 2018
SuSpiro
No silêncio das palavras
Abraço
Vontade
Beijo
Tejo
Abraço
Querer
Tejo
Beijo
Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço
Me perco e nos encontro
Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo
Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço
Me sinto e nos uno
No silêncio das palavras
Liliana Lima
Abraço
Vontade
Beijo
Tejo
Abraço
Querer
Tejo
Beijo
Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço
Me perco e nos encontro
Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo
Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço
Me sinto e nos uno
No silêncio das palavras
Liliana Lima
domingo, maio 20, 2018
pa.REDE
Qualquer dia vou pendurar um jardim na parede. Quero flores lilás em cima para lembrar o céu e muitas folhas verdes a descer numa cascata salpicada de botões amarelos até desaguar num manto branco que lembrará nuvens, sentadas na terra. E sim, também vos quero lá, papoilas de mim, desenhando a vermelho o caminho concêntrico onde te perco e me encontro.
Quando eu tiver um jardim na parede, ficará logo à entrada, para todos o verem e por ele passearem. É que uma parede assim, cheia de vida, olha-nos olhos-nos-olhos a cada encontro e diz-nos tudo o que a vida não diz ou esconde debaixo da terra.
Quando tiver um jardim pendurado, convido-te para um chá. E logo à entrada, antes de qualquer palavra, ficarás a saber tudo o que não te sei contar. É que um jardim assim, com o céu colado ao tecto, alto que é, e uma manta branca a tocar o chão, deixa à vista o sangue que escondemos de cada ferida que se fez cicatriz e que, juntas, desenham o caminho concêntrico onde me perco e te encontro.
Qualquer dia, quando eu tiver um jardim na parede da entrada, deixará de haver entre-linhas, ausências ou silêncios confusos. Porque as flores tudo mostram nas suas pétalas e nada escondem por entre as folhas. E então conseguirei ver, desenhado a vermelho, o caminho concêntrico onde não me perderei e, com certeza, te encontrarei. Quando eu tiver um jardim pendurado na parede...
Lili
quarta-feira, abril 18, 2018
soL de priMAveRA
O vazio enche os silêncios que se sentam comigo ao Sol tímido de Primavera.
Falo com ele como se contigo converssasse. Às vezes é mais fácil dizer-me assim, aos silêncios. Deles não espero resposta e por isso não me desapontam, nem pelos vazios que acordam, nem por não me entenderem o olhar, ou não perceberam o ton de voz, ou não anteverem o que me faz falta (que nem sempre é animar a malta).
Deixo o sol, atrasado, aquecer-me o corpo, cansado, enquanto procuro a tua mão nos silêncios que me abraçam por entre o vazio que, aqui, se senta comigo.
Liliana
Labels:
a ti,
abraço,
amor,
Espera,
frustração,
letras em curva,
Liliana,
saudade,
silêncio,
Tu,
vazio
quinta-feira, abril 05, 2018
O canto DA papOILA
Fui descendo a calçada
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
Labels:
a par,
a ti,
borboleta,
canção,
dança,
escrita,
flores,
inquietação,
letras em curva,
Liliana,
loucura,
palavras,
papoilas,
primavera,
silêncio,
sol
sábado, março 31, 2018
PAR.is
Ela chamou-o para jantar
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou
Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção
Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores
Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas
Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer
Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia
Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu
Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar
Liliana Lima
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou
Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção
Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores
Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas
Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer
Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia
Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu
Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar
Liliana Lima
Labels:
a par,
a ti,
abraço,
amor,
canção,
chuva,
flores,
jantar,
letras em curva,
Liliana,
loucura,
Paris,
passado,
remoinho,
saudade,
silêncio,
só,
velas
sábado, março 17, 2018
bRaNcO
Sei do frio branco que rasga a pele e corta o suspiro, branco e doce que se quer
Sei da estrada cheia de curvas que derrapam com o gelo e fogem do mapa e nos deixam sem ver o caminho para o futuro
Sei do vento que congela o sangue nas veias e proíbe os movimentos e cala as palavras nos lábios fechados, prolongando silêncios enregelados
Sei das árvores cobertas por mantos brancos por baixo dos quais se aquecem as paixões enquanto não chega a Primavera
Sei das flores que se escondem dentro da terra fértil, e germinam devagar os sentimentos que mais à frente, acredito, irão florir em mil cores
Sei do frio branco que rasga a pele e corta o suspiro, branco e doce que se quer...
E tu, sabes?
Sei da estrada cheia de curvas que derrapam com o gelo e fogem do mapa e nos deixam sem ver o caminho para o futuro
Sei do vento que congela o sangue nas veias e proíbe os movimentos e cala as palavras nos lábios fechados, prolongando silêncios enregelados
Sei das árvores cobertas por mantos brancos por baixo dos quais se aquecem as paixões enquanto não chega a Primavera
Sei das flores que se escondem dentro da terra fértil, e germinam devagar os sentimentos que mais à frente, acredito, irão florir em mil cores
Sei do frio branco que rasga a pele e corta o suspiro, branco e doce que se quer...
E tu, sabes?
segunda-feira, maio 29, 2017
SER.á
E de repente as palavras caem no silêncio e ecoam no mar inesperado dos sentidos
(Percebeste o peso do que disseste?)
E de repente o sorriso aberto rasgando o dique que continha os sentimentos abafados
(Apercebeste-te que o disseste?)
E de repente as memórias guardadas na caixa dos sinais de perigo, a desfocar, a perder a côr, a esconder a dor
(Sabes da fragilidade que, ao conjugar o verbo, desnudaste?)
E uma calma que se instala num querer subitamente, e apesar dos pesares, possível
(Será que o disseste?)
E um medo que se amaina numa vontade que diz real
(Será que o sentes?)
E o silêncio que ecoa no corpo depois do reboliço no coração
(Será que te ouvi dizê-lo?)
E a dúvida que espreita atrás de cada silêncio
(Será que acredito?)
E a espera da confirmação na volta de cada palavra, em busca do sorriso que denuncia a fragilidade e desfoca a dor
(Será que o vais repetir?)
Liliana Lima
segunda-feira, abril 10, 2017
GAveTA
Vivemos numa gaveta cada vez mais delimitada. Reservada. Supostamente aberta mas a cada dia mais fechada. Apertada.
Lá dentro, a sós, a música toca sempre certa no rádio que canta tudo o que não vivemos enquanto avisa que a cidade, adormecida, está pronta para nós.
Cá fora, fora do tempo e da música e da gaveta, com a cidade acordada, trocamos palavras invisíveis sobre sentimentos amordaçados. Cada vez mais limitados às paredes desta gaveta feita cama.
Cá dentro, nesta cama-gaveta cumpre-se a coreografia perfeita, de tantas vezes dançada. O ar é quente e os corpos dão-se sem pudores ou receios.
Mas sempre que pela fresta aberta entra a luz lá de fora, todo o espaço se preenche com os fantasmas e as feridas e os receios que tingem os silêncios, cortam as horas e consomem o ar.
Estamos numa gaveta cada vez mais delimitada. Eu finjo que não sinto. Tu finges que não sabes.
Liliana Lima
Labels:
a ti,
amor,
corpo1,
fantasmas,
letras em curva,
Liliana,
Lisboa,
mágoa,
palavras,
sapatos vermelhos,
silêncio,
solidão
domingo, abril 02, 2017
manter PERTO
Afasto(-me) depois de tantos ameaços gritados no espaço vazio que separa as palavras que (te) continuo a dizer
Afasto(-te) em cada silêncio que continuas a fazer ecoar dentro do meu ser
Afasto(-me) das palavras que já não consigo encaixar no fundo do meu reflexo nas águas
Afasto(-te) com medo das letras que unes e me ofereces em palavras ditas com uma incerteza que se me crava na pele
Afasto(-nos) de todo meu querer, o meu sentir, a mimha vontade, que antes repetia para nos aproximar, mas que hoje retraio com medo de tudo o que não me dizes
Afasto(-nos) das palavras amor, carinho, olhos, mãos, corpo... com receio das palavras fantasma, ainda, quase, acho, não sei
Afasto(-me), porque me parece ser a única forma de me manter perto
Liliana Lima
terça-feira, setembro 13, 2016
de TUDO o que TE não DIGO
Hoje, no silêncio dum fim-de-tarde de Verão, vi um arco-íris brilhar para mim. Cores das mil e uma noites em te(me) conto das utopias que iluminam os meus dias.
Encosto o meu corpo quente, húmido ainda, ao teu e deixo entrar o Luar na nossa cama. É aqui, neste silêncio abafado desta noite de Verão, que brilha tudo o que te (não) digo. Mil e um arcos que se abrem em mim, cores de todos os tons que guardo, enquanto (não) falamos.
A Lua entra pela janela aberta e dança com as sombras do que calamos. Procuro as palavras certas para me(te) dizer do tanto que trago no peito, mas elas esvoaçam, coloridas, e perdem-se no azul escuro da noite.
No tecto a luz dos carros que passam bate no que te quero dizer e reflecte um arco-íris esbatido, quase imperceptível. É nele que eu, em silêncio, projecto tudo o que te (não) digo.
Hoje, num céu de Verão, vi um arco-íris brilhar para mim. Mil e uma cores que (me) espelham (n)as utopias que iluminam as nossas noites.
Liliana
sábado, junho 04, 2016
eCo
Quando o tempo pára
no eco duma palavra
nascida
em silêncio.
E se deixa ficar num flashback
de memórias
recortadas
que se sucedem ao ritmo
do tempo...
que parou.
Quando olhas em volta e tudo
o que sabias
deixou
de ser.
À tua volta apenas
o eco recortado
do silêncio
em que, tens certeza, nasceu
a palavra.
Liliana
quarta-feira, maio 25, 2016
Sil ênc io
Nunca soube ouvir no silêncio,
arranha-se-me o corpo à ausência de sinais
legíveis nos simbolos mudos
desenhados pelos ponteiros do relógio.
Fico muito quieta à espera de ver
aparecer o som que me dirá tudo
o que o silêncio, teimosamente,
esconde dos meus olhos cansados.
Saberá ele o quanto vasculho e procuro,
nas gavetas da secretária,
nas prateleiras do escritório,
até mesmo nos armários da cozinha,
pelo manual que me permitirá
aprender os segredos
da comunicação
na total
ausência
de fonemas?
Nunca soube entender o silêncio,
marca-me a pele esta espera,
por uma palavra não
dita,
por uma resposta não
dada,
por uma explicação não
partilhada.
Desco pela cidade,
sento-me à beira-rio
e desenho letras na água
com os pés descalços.
Olho o silêncio, na outra margem,
que se estende
pelo Tejo
e abraça
Lisboa
num beijo sem som.
Pergunto-lhe se me pode ajudar
e ele
em silêncio
responde
com frases que
não
consigo ouvir,
nem
entender.
Nunca soube ouvir o silêncio.
Liliana
arranha-se-me o corpo à ausência de sinais
legíveis nos simbolos mudos
desenhados pelos ponteiros do relógio.
Fico muito quieta à espera de ver
aparecer o som que me dirá tudo
o que o silêncio, teimosamente,
esconde dos meus olhos cansados.
Saberá ele o quanto vasculho e procuro,
nas gavetas da secretária,
nas prateleiras do escritório,
até mesmo nos armários da cozinha,
pelo manual que me permitirá
aprender os segredos
da comunicação
na total
ausência
de fonemas?
Nunca soube entender o silêncio,
marca-me a pele esta espera,
por uma palavra não
dita,
por uma resposta não
dada,
por uma explicação não
partilhada.
Desco pela cidade,
sento-me à beira-rio
e desenho letras na água
com os pés descalços.
Olho o silêncio, na outra margem,
que se estende
pelo Tejo
e abraça
Lisboa
num beijo sem som.
Pergunto-lhe se me pode ajudar
e ele
em silêncio
responde
com frases que
não
consigo ouvir,
nem
entender.
Nunca soube ouvir o silêncio.
Liliana
Subscrever:
Mensagens (Atom)













