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sexta-feira, agosto 25, 2017

SEGUndos

Vejo
tudo centésimos de segundos antes de acontecer
E saio
de dentro de mim para me defender
Mas fico
imóvel, parada num tempo que não quero ver
Retiro
tudo de mim para fora da cena
E olho
para dentro dela, de fora, como num teatro de marionetas
Fecho
os sentimentos e as emoções no local mais escondido em mim, congelada na peça
E olho
para dentro dela, de fora, o mais friamente que consigo
Gravo
toda a acção de todos os actos que se seguirem
E revivo tudo
já de fora, segundos, minutos, semanas às vezes, depois da peça sair de cena

E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim

Assusto-me
quando deixo escapar os milésimos de segundo de segurança
E não consigo sair
de mim, e deixar de sentir, e virar as costas, e defender-me a tempo
E então absorvo
todo o guião como barro girando que se vai moldando pelas mãos do artesão
E então salto
para outros filmes qual Alice caindo noutra dimensão
E então não controlo
a realidade que vivo, porque no palco um labirinto de espelhos faz-me perder de mim
E então assusto-me
com esta montagem desordenada que, tantas vezes, ultrapassa o que, na verdade, se passa nesses milésimos de segundo
Vivo
todas as cenas de uma só vez
Re.ajo
de acordo com o tamanho dos moinhos que rodam dentro de mim

E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim


Liliana Lima


quarta-feira, maio 27, 2015

LaBiRiNtO

Não quero.

Não quero ver tanto, quase tudo, longe do pouco que me traria a paz num ramo de oliveira.
Não quero!
Não quero olhar pelas janelas dos olhos e, como se no Matrix, ver o cenário perfeito, os actores bem caracterizados e as falas memorizadas, a par do próprio Oz.

Não quero.

Não quero sentir em mim o tudo que, não me pertencendo, se me impõe a cada vez que me aproximo.
Não quero!
Não quero prever o voo da borboleta que agita as suas asas no outro lado do globo e me arrepia, aqui, no meio do verão.

Não quero.

Não quero a banda-sonora dos dias, tocada em surdina só para mim, na velha sala do cinema paraíso de onde vejo o correr das horas.
Não quero!
Não quero ouvir as palavras não-ditas(mal-ditas) por entre os espaços das pronunciadas, essas tão audíveis e bem conjugadas.

Não quero.

Ah! Não quero!
Quero menos, muito menos!

Queria sim olhar o céu e ver apenas as andorinhas que invadem, finalmente, a cidade.
Queria ver no teu sorriso nada mais para além da sua própria beleza.
Queria ouvir nas palavras sussurradas absolutamente mais nada senão elas mesmas.
Queria aceitar as escolhas dos dias sem lhes saber os mapas astrais.
E queria, também, perder o medo dos silêncios e não os sentir labirintos de intenções e interpretações.

Quero.

Quero apenas pela quase certeza de que seria mais feliz.
Quero porque o meu mundo seria, acho que seria, menos complicado se não conhecesse de antemão o feiticeiro, e aquele coelho que todos os dias vejo passar apressado, penso que atrasado, correndo por uma estrada de tijolos amarelos.


Liliana