Não há receitas.
Há que estar
no cruzamento
certo,
à hora
certa.
Depois é preciso
que o olhar
se cruze
o.l.h.o.s.
n.o.s.
o.l.h.o.s.
Mas é só com
os corações abertos
que se cria
ESPAÇO
para a
NARRAtiva.
E sem NARRAtivas
por muito que nos
cruzemos
e
olhemos,
não há ESPAÇO
para o
novo
para a
tentativa
para a
curiosidade
para o
impulso de saltar.
Só de corações abertos
podemos
sentir a vontade
de nos darmos
n.ú.s.
das camadas de tinta
com que nos pintamos.
Não há receitas.
É estar no cruzamento
certo na hora
certa
e olhar
c.o.r.a.ç.ã.o.
a.
c.o.r.a.ç.ã.o.
e deixar
que a NARRAtiva
se instale e
escreva a história
p.o.r.
s.i.
m.e.s.m.a.
Não há receitas.
Liliana Lima
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sábado, dezembro 15, 2018
domingo, abril 29, 2018
fecha os OLHOS
Fecha os olhos para que se apague a luz e tudo o que parece possa ser.
Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.
Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.
Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.
Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.
E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.
Lili
Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.
Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.
Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.
Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.
E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.
Lili
segunda-feira, janeiro 08, 2018
de DENTRO para FORA
Gosto que olhes para mim.
Gosto de ver os teus olhos olhar-me. Perto dos meus.
Nua das tantas camadas que trago comigo.
Gosto de olhar para ti.
Gosto de sentir os meus olhos olhar-te. Junto dos teus.
Enquanto te aproximas de mim.
Gosto que me olhes, olhos nos olhos.
De perto.
De tão perto que, quando olho para ti, sinto que me vês, assim, de dentro para fora.
Liliana Lima
(* oferecido e pintado pela minha prima Luísa Bruno)
Gosto de ver os teus olhos olhar-me. Perto dos meus.
Nua das tantas camadas que trago comigo.
Gosto de olhar para ti.
Gosto de sentir os meus olhos olhar-te. Junto dos teus.
Enquanto te aproximas de mim.
Gosto que me olhes, olhos nos olhos.
De perto.
De tão perto que, quando olho para ti, sinto que me vês, assim, de dentro para fora.
Liliana Lima
(* oferecido e pintado pela minha prima Luísa Bruno)
quinta-feira, agosto 17, 2017
admirável mundo NOVO
- Olhos-nos-olhos
Disse ela, assim, tão só, sem mais nada, nem mesmo pontuação, através do teclado do
telefone.
Ela que escrevia tanto, escrevia tudo, o que sentia e como sentia, que descodificava as
figuras de estilo só para ter certeza que era entendida. Dando-se em escrita, como afinal sempre sonhara dar-se. Deixava cair, com grande estrondo, a mensagem. Sem
enquadramento nem explicação.
Ele já a conhecia tão bem! Sabia-lhe o estado de alma às primeiras letras. Ouvia as
entrelinhas, mesmo as que não conseguia interpretar. Saboreava-lhe o humor algo
apimentado. Sentia-lhe a inquietação a subir em flexa. E dispensava explicações ou
esclarecimentos. Lia-a em cada palavra, que sabia ter sido prepositada e muitas vezes
inusitadamente escolhida, para aquela posição naquela frase.
Ele em silêncio sem ter certeza de como a ler. Ele, desta vez, à espera do resto, dos verbos que nem existiam, dos adjectivos, um ponto de interrogação, exclamação, um ponto apenas.
Eles que desde há tanto tempo gastavam as palavras sem nunca as desperdiçar pela rua. Eles que já eram nós. Um nós nascido e criado numa narrativa que era muito mais do que a soma das de cada um. Eles à espera, em silêncio, do ecoar morno a que as suas palavras os habituaram.
Ele pega no telefone e arrisca,
- Olhos-nos-olhos?
E recebe de volta um simples e singelo,
- Sim.
Num segundo um oceano de imagens, construídas por expressões e figuras de estilo, percorreu todo o corpo dele. Recortes dela projectados dentro de si. Do quanto escreveram até a conhecer ao ponto de a saber saborear, intuir, antecipar, alegrar e até entristecer, palavra-a-palavra.
Mas “olhos-nos-olhos” as palavras ganham outras dimensões, vestem-se de outros
significados. E ele sentia-se bem assim. Gostava dela assim. Desejava-a assim. Nesta
narrativa partilhada, em que cada um se escrevia tão mais profundamente do que em qualquer vulgar relação dependente dos sentidos. Aliás, quanto mais olhava para o ecran do telefone, mais certeza tinha que não queria pôr em risco os riscos com que a escrita a desenhara no seu imaginário.
Não, eles que em narrativa se tornaram nós, não precisavam dos olhos para se ver. Esta narrativa escrita ao longo dos anos, e já lá iam quase quatro, estava muito além do estar. Porque o sentir, esse, vivia intinsecamente em cada palavra que se escreviam.
Decidiu, por fim, quebrar o silêncio gélido que os separava, com um simples e singelo,
-Não!
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