Mostrar mensagens com a etiqueta sol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sol. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 06, 2019

varANDA

Dançam, as gaivotas, com as sombras
na varanda que ainda aquece
O dia avisa que vai partir
nas nuvens que o céu tece

No teu sorriso rasgado
encontro todas as cores da vida
O Sol, nos teus olhos, pintado
E no amor, a utopia prometida

Liliana Lima


segunda-feira, setembro 02, 2019

iLHa

O Sol entra,
Deita-se
Na cama
E conta-me
Do mar e das ondas
Que oiço
Desaguar na areia.
Tu cantas
Com o vento
Que faz abanar as canas.
Procuro
As palavras
Certas
Para espelhar
O tanto que quero contar.
Tu cantas,
Com a gaivota
Que rasga o céu,
Uma canção
De embalar.
E eu deito-me
Com o Sol
Que vejo entrar, invadindo
A cama,
Onde te vou encontrar
Também.
E, nesta tarde calma,
Deixo-nos
Ficar.

Liliana Lima


segunda-feira, fevereiro 04, 2019

TEjo

Quantos pôres-do-Sol te vi beijar 
Quantos fins-de-tarde passeei ao teu lado 

Hoje não acordo contigo
Como muitos anos, há muitos anos

Hoje vejo-te o nascer do Sol pintar as águas
E com ele aprendo a reconstruir os abraços 
Semi-cerro os olhos e revejo a esperança 
Sorrio-te e renovo as palavras
Doces


Liliana Lima 



quarta-feira, janeiro 02, 2019

aNO NOVO

E como ontem, o dia nasce
e vemo-lo passar diante nós
Traz no azul do céu a cor dos sonhos que trazemos nos olhos
Na brisa a suavidade das manhãs grávidas de esperança
No branco das nuvens a pureza do acordar dos amantes
E no Sol a força da utopia

E como ontem, a tarde cai
e sentimo-la descer sobre nós
Carrega no colo os sonhos, os novos e os de sempre
Embala a esperança que se tornou vontade
Faz crescer o amor na pureza dos gestos
E transforma a utopia em horizonte

E como ontem, a noite nasce
e, do alto do luar, olha-nos
Encobre os medos dos sonhos desfeitos
Apaga a inércia e a invontade de quem não crê
Ilumina os lençóis das camas dos amantes
E dentro da lua cheia faz renascer a utopia

E como ontem, o ano começa...


Liliana Lima


quarta-feira, setembro 19, 2018

comunHÃO

Há o mar e o Sol que se esconde no horizonte
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
E há um espelho que mostra tudo o que não queremos esconder
E um café bebido em profunda comunhão

Há a surpresa inicial que se repete, devagar
Há o mar e o Sol que nos cumprimenta
Há o inesperado e tudo o que nos é natural
E há um copo partilhado em profunda comunhão

Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
Há um longo ronronar que faz ecoar o silêncio
Há um espelho que se esconde para não incomodar
E um beijo antecipado em profunda comunhão


Liliana Lima



quarta-feira, junho 13, 2018

promESSA

Quando me ofereceste o vaso com um laço e um beijo, vi que dos quatro pés que trazia plantados, dois eram rosas vermelhas e outros dois eram, redundantemente, cor-de-rosa.

Escolhi um novo vaso, "a sério", de barro para deixar transpirar a terra e juntei fertilizante. E esperei.

Dois dos pés deixaram cair as rosas que traziam ainda por abrir e as outras choveram pétalas em excesso. Tirei todos os ramos mortos e folhas secas. E esperei. 

Quando o sol resolveu espreitar reguei e vi que, três dos quatro pés eram habitados por uns estranhos bichos microscópicos que os rodeavam numa espécie de rede  quase transparente. A medo, usei o insecticida em toda a planta. E esperei.

Com a mesma teimosia com que o Sol deixou de brilhar os bichos, quase microscópicos, mantiveram-se tecendo redes de comunicação entre folhas e ramos, apesar dos sprays e das lavagens. Cortei os três ramos quase pela raiz. E esperei.

O único pé que não cortei, continuou a crescer, alheio à aridez envolvente. Vi o nascer de uma promessa de botão. E esperei.

Hoje, com o Sol finalmente a banhar o vaso de barro, o botão abriu em rosa e, a toda a volta dos ramos cortados, nasceram pequenas folhas dum verde muito claro.

Olhei para a rosa e para os futuros ramos e para toda a simbologia que ali cresce neste preciso momento e sorri. Tirei uma fotografia, e registei a memória "para mais tarde recordar". E espero.

Liliana Lima 


segunda-feira, junho 11, 2018

aqui!

Espreito o Sol que pede licença para me aquecer a alma.
Olho o céu azul, do azul dos dias mais claros.
E deixo-me levar pelo vento suave.
Onde estou? Aqui! 
É aqui que me encontro, me recomeço e me remendo. 
É aqui que sou!



Liliana Lima 



quinta-feira, abril 05, 2018

O canto DA papOILA

Fui descendo a calçada
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler

Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar

Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar

As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar

No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti

Liliana Lima


quinta-feira, março 22, 2018

ó MAR SALgado

Diz ao mar que pare de balançar o barco
Pede às ondas que não me desequilibrem no caminho
Convence o vento a soprar de mansinho
Que a minha rota é marítima e é difícil dobrar, da boa esperança, o cabo

A maré que me ameaça não vem da lua nem do sol
vem com a força da inquietação que em mim se faz onda e rebentação
Ah! Soubera eu acalmar esta corrente e, juro, nadaria até à beira-mar
correria pela areia e brincaria nas pequenas ondas da maré vazia

Diz ao mar que me embale o meu canto
Pede às ondas que me afaguem o cabelo
Convence o vento a enrolar-me, dançando
Que nesta rota marítima é em ti que me encanto

Sopram, decididos, os medos do vento norte
Eu, parada, não grito ao mar... nunca lhe soube falar
E o barco agita-se, desce e sobe por entre vagas de amor e morte
enquanto canto à lua para que, em sonhos, me venhas salvar

Diz ao mar que acalme estes medos
Pede às ondas que não espalhem meus segredos
Convence o vento às minhas velas soprar
para esta rota marítima em teu porto atracar

Liliana
21-03-2016


segunda-feira, agosto 15, 2016

Pra ia

Escorre-me a areia por entre os dedos ao sabor do vento 
E no entanto podia jurar que ainda agora a tua mão na minha

O Sol consome todo o horizonte com o virar da ampulheta 
São corpos recortados no prateado intenso que invadem a praia 
Figuras indistintas que não consigo nomear 

Semi-cerro os olhos doridos com a força da luz para te procurar 
E no entanto ainda agora podia jurar que te estava a abraçar 

Liliana Lima 


terça-feira, abril 12, 2016

caMinHo

Chega-te a mim e olha o rio comigo. Vês-nos ali, reflectidos nos espelhos reluzentes que o Sol ilumina? O que nós andámos para aqui chegar!
Ainda ontem um sorriso tímido, atrevido, uma palavra mais ousada entre outras tantas tão contidas, cuidadosas. 
Deste conta que aqui chegámos?

Chega-te a mim e dá-me mão, essa mão onde já cabe, perfeito, o meu coração. Espreita comigo pelo buraco da fechadura dos medos. Vês como fomos, um a um, embrulhando os meus na certeza de que o Sol sempre nasce, mesmo depois da mais escura noite de Lua nova? Como vamos desmontando os teus, sempre calados, velados ou disfarçados de falsas certezas?
Ainda ontem um quarto escuro onde as sombras, soltas de cada menino, saltavam à corda com as inseguranças de cada manhã. 
Percebeste que já aqui estamos?

Chega-te a mim e embrulha-me num abraço, daqueles onde me consigo enroscar longe de tudo e de todos menos de nós. Sentes como nos aproximámos muito para lá dos corpos que sempre se souberam um do outro? Como nos apendemos a ler e a reconhecer um no outro sem pudor de nos despirmos depois dos corpos nús, húmidos e amachucados?
Conheces o mapa que nos trouxe até aqui?

Chega-te a mim e olha o meu  rio, ouve a minha cidade e lê a minha Lua.
Sabes de onde viémos e onde estamos?
(não te preocupes com para onde vamos, isso só saberemos depois de aqui vivermos)

Liliana


quarta-feira, agosto 12, 2015

Dos dias sem pôr-do-Sol

Como dizer dos dias claros que nascem na janela do quarto que dá para rua, por entre os carros e as pessoas e as crianças que passam e ecoam em sons que reflectem no tecto, enquanto, tranquila, me deixo acordar?

Como dizer dessas manhãs tranquilas, esperançosas até, que em tardes de Sol se transformam num 'tu cá, tu lá' com o Tejo como pano de fundo e os veleiros como pontos cardeais?

Como dizer das tardes doces em húmidos lábios abertos que se juntam, dedos singelos que percorrem os rios da vontade e levam os corpos até ao cume do desejo, que se esgota e se conjuga num singular a dois?

Como dizer do sorriso, ligeiramente encoberto, agora que olhamos para trás, que se enrosca na cumplicidade das horas que, afinal já são demais?

Como dizer do não dito mas tão bem entendido, tão visível e, no entanto, encoberto por um Sol que teima apagar-se antes do tempo para não iluminar o que, calado, grita em todas as ruas da cidade, rebolando até ao Tejo onde se repete em remoinhos circulares que se estendem até à outra margem? 

Como dizer da surpresa, que o é, não por inesperada, mas por esperançosamente adiada, do absoluto silêncio duma casa virada do avesso, onde todos comem à mesa no tecto sem que se assuma a intensa dor de cabeça associada ao absurdo aceite?

Como dizer da mágoa que magoa lá no fundo do corredor, à porta do quarto onde a janela virada para a rua, espera um pôr-do-Sol que não chega apesar do avançado da hora?

E o grito do silêncio
E o absurdo avesso
E a surpresa da aceitação
E o pôr-do-Sol da mágoa

Como dizer dos dias em que, podíamos jurar, vemos o Sol nascer "como sempre, como antes" e, com o correr dos ponteiros, o vemos girar em torno da realidade até que esta, de pernas para o ar, cai desastrosa e estrondosamente sobre nós, acordando a mágoa do absurdo que, afinal, esperávamos não mais encontrar?

Como?

Liliana
 
 
 


 

Moro numa casa inacabada
Feita de terra molhada
Com o céu às cavalitas
Entra, mas desculpa a confusão;
Anda tudo pelo chão,
Não contava com visitas

Comigo mora gente tão diferente
Que às vezes, pontualmente,
Só falamos por sinais;
Cada um tem na sua bagagem
Um bilhete de passagem
Pelos pontos cardeais

Na sala, uma velha cartomante
Lê ao cavaleiro errante
Um destino vencedor;
As cartas falam de perdas e danos
Para, no correr dos panos,
Encontrar o seu amor

Ao fundo, dorme um soldado sisudo
Com umas botas de faz-tudo
E uma paixão de aluguer;
O bêbado que está no quarto ao lado
Chora sempre em tom de fado
O amor de uma mulher

Aquela que tem o corpo na esquina
Diz que também foi menina
Há-de um dia ser feliz
O homem que a usou pelos quintais,
Como é norma entre iguais,
Compreende o que ela diz

Em cima fica o quarto dos amantes,
Dos poetas, viajantes
E dos loucos sem lugar;
Pintaram um baloiço na janela
Com a luz de uma aguarela
Para a lua baloiçar

Assim somos vizinhos de outras crenças,
De outros livros e sentenças
Outras formas de oração;
Mas quando a noite traz os seus momentos
Escapa destes aposentos
Um bater de coração

Revela-se a verdade nua e crua:
Chove mais do que na rua
Trago o fato ensopado
Aqui qualquer um é vagabundo,
Esta casa é todo o mundo
Falta só pôr o telhado

 "Casa inacabada"
Sérgio Godinho/Camané
Letra: João Monge
Música: Manuel Paulo
In: 'O Assobio da Cobra'

segunda-feira, agosto 03, 2015

uTOPia

A areia amarelo-torrado das arribas que aconchegam a praia, dança em pequenos remoinhos trazidos pela brisa do mar. Corre pelos recortes a pique e conta-me histórias de tempos há tantos e tantos Sóis iluminados que só mesmo a brisa pode lembrar. Deitada no areal amarelo-muito-claro, oiço e cheiro e sinto as vidas há tantas e tantas luas vividas aqui, na praia que as arribas aconchegam.

No meio de tantas, uma história faz-me concentrar os sentidos para não a perder céu acima. Dizem-me das desventuras duma ilha que se queria cumprida e um dia se descobre desde sempre adiada.  Conta-me o mar que apenas no horizonte ela encontrou consolo mas que, por ciúme, o Sol lhes lançou um feitiço e logo que se juntaram se transformaram numa linha inalcansável.

As ondas acalmam para o mar tornar mais escuro o seu azul e a areia molhada diz-me para olhar em frente. Lá ao fundo, onde o céu e o mar se misturam, consigo avistar o horizonte e a utopia. Juntos formam uma linha que se estende à minha volta e me diz em segredo que a utopia se quer assim, inteira, realizada, feliz. Alcançável, apenas em noites de lua nova e por alguém capaz de sonhar um sonho que, à falta da lua, ilumine o céu e, reflectindo no mar, a destape do breu.

Então e os outros? Pergunto eu. Nós que também te procuramos e protegemos e alimentamos? Responde-me que todos os vierem virão por bem e ela estará sempre presente para os que, acreditando, a saibam na linha em que o mar se mistura com o céu, para orientar as nossas rotas. 

Liliana 

sexta-feira, janeiro 09, 2015

So.l

Amar-te é como adorar o Sol
Que vejo refectido na luz dourada nas águas
Que sinto percorrer a minha pele com o calor dos seus raios
Que velo todas as tardes, até que adormeça na paz branca da Lua
E que espero todas as manhãs para que acorde o céu e acenda os sonhos

Amar-te é como adorar o Sol
E saber que me aquece e sorri,
sem nunca sair da linha do horizonte
E aceitar que por muito que baixe a maré,
o horizonte está sempre mais além
E saber das nuvens que o seduzem,
ainda que lhe toldem o brilho
E perceber que, ainda que construa as asas mais firmes,
nunca lhe conseguirei chegar

Amar-te é como adorar o Sol....


Liliana