Nunca mais fui ver o Tejo.
Costumava ir contigo para lhe falar de mim.
Sabemos que a Terra gira e com ela as vontades e intenções e necessidades.
O Tejo perdido nos afazeres, que deixou de ser meu para passar a ser teu, nunca mais fui ver.
E faz-me falta, disso sabes tu que me levavas até à margem de cá e me deixavas reter as diferentes cores e disposições que nele ondulam.
Sabemos que quando te dei AO rio numa manhã fria de Sol, te dei O Tejo. Ficando, por isso, mais longe do "mais belo rio que corre na minha aldeia".
Nunca mais fui ver o Tejo.
Vamos ver o rio num destes dias? Podemos não pensar em nada e ficar assim, "só ao pé dele" (só ao pé de ti).
Liliana Lima
* Alberto Caeiro
in Guardador de Rebanhos
Átila, 1993
Eu sei, Lá fora a chuva cai O sono já lá vai e outra vez eu te amei eu sei, (penso em ti, penso em ti) quando o sol nascer (penso em ti, penso em ti) vou ter que perder o medo de te dizer sou eu quem vai mudar sou eu quem vai sair talvez até chorar não sei, o que estará para vir talvez eu vá mentir o que lá vai, lá vai lá fora a chuva cai eu sei, (penso em ti, penso em ti) que a tristeza vem (penso em ti, penso em ti) ao deixar alguém a quem tanto me dei eu sei, (penso em ti, penso em ti) talvez vá perder (penso em ti, penso em ti) doa a quem doer vou ter que te dizer não sou eu quem vai mudar sou eu quem vai sair talvez até chorar não sei, o que estará pra vir talvez eu vá mentir o que lá vai, lá vai lá fora a chuva cai eu sei sou eu quem vai mudar sou eu quem vai sair talvez até chorar não sei o que estará pra vir talvez eu vá mentir o que lá vai, lá vai lá fora a chuva cai eu sei... penso em ti
Letra de Adelaide Ferreira e Luís Fernando, música de Tozé Brito e orquestração de José Calvário.










