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terça-feira, junho 04, 2019

Métropolitain

Um túnel, tipo Metro
Cadeiras alternadas
Vermelha, beje
Beje, vermelha
Luzes ao fundo
Um palco de palmo e meio
E no bar, ouve-se o gelo
As luzes à meia luz
E o espaço pintalgado
De mesas redondas
Uma bateria esconder-se sozinha
Por entre os vários micros
Pessoas entram e espalham-se
Pelas cadeiras
Sentam-se, levantam-se
E vão ao bar
E voltam de copo na mão
Mudam de lugar
Ainda falta tempo
E o gelo canta, no bar

Um túnel, tipo Metro
Uma rua de Paris, talvez
Onde o Sol ainda brilha
E cá em baixo o espaço
Vai ficando cheio
Longe do fumo cinéfilo
A música de fundo sobe
E as vozes aumentam o volume
Para se ouvirem
Os músicos entram, indecisos
Sobem, descem e sentam-se
A sessão vai começar
Há casais e grupos à conversa
E ela sozinha, à minha direita
De frente para o palco
As luzes escurecem
E ganham cores
Enquanto as vozes procuram
Lugar para sentar
No bar o gelo cala-se
Vai-se tocar Jazz

Liliana Lima


sábado, março 31, 2018

PAR.is

Ela chamou-o para jantar
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou

Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção

Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores

Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas

Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer

Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia

Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu

Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar

Liliana Lima




sábado, novembro 14, 2015

uToPiAs (paris)

Deito a cabeça na almofada vestida de branco. Lá fora o mundo grita e sangra as lágrimas que não pensávamos que pudessem chover. 
A inquietação espreita à porta do quarto, transfigurando as sombras que se erguem em mim. 

Procuro a tua mão, para me acalmar, sabendo tão bem que aqui não está. 
O silêncio das mortes, que sei, acabaram de nascer, ecoa nas minhas ilusões. 

Procuro o teu corpo, para me proteger, ainda que saiba que não o vou encontrar. 
A solidão das ruas arrefece o meu coração e esta cama vestida de branco onde, sozinha, me deito. 

Procuro as tuas palavras para me aninhar, mas não chegam com o luar que me olha pela janela.

Deito a cabeça na almofada vestida de branco. 
Lá fora a morte cobre a lua e, como num nevoeiro cerrado, deixo de ver o lado de lá da ponte. 

Dou-me a mão enquanto me deito abraçando as pernas dobradas junto ao peito. 

Fecho os olhos e digo baixinho, quase em surdina, "dorme bem"... 



Liliana