Sentei-me na MARGEM, esgotada, enervada e sem forças para continuar.
Todo o mundo me parecia estar na OUTRA MARGEM.
Mesmo tu, que sentia tocar-me, estavas lá do OUTRO lado.
As vozes chegavam de longe e a cidade parecia desaparecida.
Com o Tejo a desaguar em mim, ouvi a tua voz.
Com a Lua Nova a esconder-se comigo, senti a tua mão.
Com o corpo a tremer num turbilhão de sentimentos, reconheci o teu calor.
Levantei-me, esgotada, dESTA MARGEM.
Olhei à volta e decidi atravessar a ponte para o OUTRO lado e, num só passo, anular as MARGENS.
Liliana Lima
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terça-feira, junho 18, 2019
esta OUTRA margem
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sábado, setembro 08, 2018
s.AÍ.ste
Vais sair
Ou melhor já saiste
Para dentro daquele tempo
onde não há espaço
Para mim
Saíste novamente
sem avisar que irias entrar
nesse espaço onde não há tempo
Para mim
Vais sair e eu devia perceber
que deixei de estar
Dentro de ti
Devia saber que ao sair te queres
inteiro, vazio, com a possibilidade única
De ti
Vais sair
ou melhor, já saiste
E eu entrei, aqui
Liliana Lima
Ou melhor já saiste
Para dentro daquele tempo
onde não há espaço
Para mim
Saíste novamente
sem avisar que irias entrar
nesse espaço onde não há tempo
Para mim
Vais sair e eu devia perceber
que deixei de estar
Dentro de ti
Devia saber que ao sair te queres
inteiro, vazio, com a possibilidade única
De ti
Vais sair
ou melhor, já saiste
E eu entrei, aqui
Liliana Lima
quinta-feira, agosto 30, 2018
REdoMA
Estou presa numa redoma que tinge o mundo dum tom esverdeado
Estou dentro duma casa que se vira do avesso como uma onda que embate no paredão e muda os sentidos e me deixa em contra mão
Sinto uma força de ciclone que me arranca de onde estou e me abandona num mundo sem coração com um colete apertado de lata e um monte de palha no avental
Estou presa numa órbita muito para além da Lua, que me aproxima ou afasta duma terra onde não encontro lugar
Baloiço na corda que me devia equilibrar, mas que não pára e nunca me deixa levantar
Vou de barco sem mastro nem velas nem estrelas para me guiar, vou apesar do medo de nunca saber se, algum dia vou chegar
Tenho a chuva toda da Terra agarrada aos olhos que, cansados, me pedem para simplesmente a soltar
Construí um muro feito de legos para me proteger do sismo que sinto cá dentro e que, só pode vir de fora, seja do ontem ou do agora
Decidi que não posso pedir desculpa a cada hora por actos ou omissões que me vejo fazer como uma marioneta nas mãos de um qualquer alguém
Estou presa numa redoma que, com a água da chuva, tinge o mundo dum tom esverdeado
Vivo numa casa ao contrário que me enjoa e desalinha
Aperto com força, tanta força, este tornado que vive em mim e que acredito capaz de destruir até a muralha mais longa
Vejo a Lua numa dança elíptica e com ela aprendo a nascer e a morrer em volta da mesma terra
Não me ponho em pé com medo dos solavancos com que a vida me embala
Navego pelos oceanos num barco de papel feito das muitas linhas que escrevo e acabo por riscar
Construo castelos de areia, mil e uma vezes levados pelo mar
E peço desculpa por tudo o que digo mesmo depois de avisar que o guião que se me cola à pele, poderia magoar
Estou presa numa redoma
Estrou presa dentro de mim
Liliana Lima
Estou dentro duma casa que se vira do avesso como uma onda que embate no paredão e muda os sentidos e me deixa em contra mão
Sinto uma força de ciclone que me arranca de onde estou e me abandona num mundo sem coração com um colete apertado de lata e um monte de palha no avental
Estou presa numa órbita muito para além da Lua, que me aproxima ou afasta duma terra onde não encontro lugar
Baloiço na corda que me devia equilibrar, mas que não pára e nunca me deixa levantar
Vou de barco sem mastro nem velas nem estrelas para me guiar, vou apesar do medo de nunca saber se, algum dia vou chegar
Tenho a chuva toda da Terra agarrada aos olhos que, cansados, me pedem para simplesmente a soltar
Construí um muro feito de legos para me proteger do sismo que sinto cá dentro e que, só pode vir de fora, seja do ontem ou do agora
Decidi que não posso pedir desculpa a cada hora por actos ou omissões que me vejo fazer como uma marioneta nas mãos de um qualquer alguém
Estou presa numa redoma que, com a água da chuva, tinge o mundo dum tom esverdeado
Vivo numa casa ao contrário que me enjoa e desalinha
Aperto com força, tanta força, este tornado que vive em mim e que acredito capaz de destruir até a muralha mais longa
Vejo a Lua numa dança elíptica e com ela aprendo a nascer e a morrer em volta da mesma terra
Não me ponho em pé com medo dos solavancos com que a vida me embala
Navego pelos oceanos num barco de papel feito das muitas linhas que escrevo e acabo por riscar
Construo castelos de areia, mil e uma vezes levados pelo mar
E peço desculpa por tudo o que digo mesmo depois de avisar que o guião que se me cola à pele, poderia magoar
Estou presa numa redoma
Estrou presa dentro de mim
Liliana Lima
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sexta-feira, agosto 24, 2018
não CONSIGO
Não consigo dizer que, não consigo
E enrolo-me numa teia de histórias que separo por cores
Não consigo dizer que, não consigo
E afundo-me num pântano escuro onde não vejo nada
Mas a ti, digo
Não sei pintar as palavras sem que as percebas falsas
Não sei fingir o sorriso que conheces de cor
Mas a ti, digo
Que não consigo avançar
Que não consigo (re)começar
Que nem me consigo levantar
Não consigo dizer que, não consigo
Mas a casa por arrumar
E os filhos para almoçar
E as certezas que devo inspirar
E as peças com que devo jogar
E a vida, enfim, por encarar
Levanto-me
Visto o vestido mais leve
Penteio aquele olhar
Reinvento aquele sorriso
E...
Não consigo dizer
O que dentro de mim está a gritar
Não consigo continuar
Liliana Lima
E enrolo-me numa teia de histórias que separo por cores
Não consigo dizer que, não consigo
E afundo-me num pântano escuro onde não vejo nada
Mas a ti, digo
Não sei pintar as palavras sem que as percebas falsas
Não sei fingir o sorriso que conheces de cor
Mas a ti, digo
Que não consigo avançar
Que não consigo (re)começar
Que nem me consigo levantar
Não consigo dizer que, não consigo
Mas a casa por arrumar
E os filhos para almoçar
E as certezas que devo inspirar
E as peças com que devo jogar
E a vida, enfim, por encarar
Levanto-me
Visto o vestido mais leve
Penteio aquele olhar
Reinvento aquele sorriso
E...
Não consigo dizer
O que dentro de mim está a gritar
Não consigo continuar
Liliana Lima
quinta-feira, agosto 23, 2018
UM dia
Um dia, quando deixares de gostar de mim
Que seja a primeira a saber
Que nada me escondas porque posso chorar
E mo digas, boca-boca,
Que já não gostas de mim
Um dia, quando deixares de me querer
Que me digas o nome que em ti suspira
Que aquece o corpo que ficou marcado em mim
Que o meu lugar, na almofada da tua cama, ocupa
Um dia, quando te libertares de mim
Que eu te veja, pela calçada, a sair
Que te despeças com leve acenar
E te afastes sem desviar olhar
Um dia, quando deixares de gostar de mim
Que eu seja a primeira a sentir
Que deixes a chave de mim, no portão
E que me sejas meigo no despedir
Um dia, quando deixares de me desejar a mim
Liliana Lima
Que seja a primeira a saber
Que nada me escondas porque posso chorar
E mo digas, boca-boca,
Que já não gostas de mim
Um dia, quando deixares de me querer
Que me digas o nome que em ti suspira
Que aquece o corpo que ficou marcado em mim
Que o meu lugar, na almofada da tua cama, ocupa
Um dia, quando te libertares de mim
Que eu te veja, pela calçada, a sair
Que te despeças com leve acenar
E te afastes sem desviar olhar
Um dia, quando deixares de gostar de mim
Que eu seja a primeira a sentir
Que deixes a chave de mim, no portão
E que me sejas meigo no despedir
Um dia, quando deixares de me desejar a mim
Liliana Lima
domingo, agosto 12, 2018
sabias MEU amor?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E nas noites de Lua Nova, tu sabes,
tudo me parece mais estranho e assustador
todo o mundo parece girar em meu redor
e dos fantasmas que tão bem conheces.
Consegues alcançar o fumo que assalta o meu olhar?
Estás aí sequer?
Ou já dormes enrolado nas velas dos teus moinhos vento?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
O mar, desapareceu num horizonte profundo
e eu, (só tu sabes) que não gosto do escuro,
procurei na forma certa das estrelas o caminho
para me encontrar.
Dás-me a mão para me acalmar?
Tens calma sequer?
Ou procuras também a tua noite iluminar?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E as luzes das casas, dos barcos, das fábricas,
parecem fugir de mim apenas para me assustar
e tu sabes que sem ver a estrada me sinto afundar.
Chamas o meu nome, para te encontrar?
Falas comigo sequer?
Ou estás ocupado com os teus fantasmas a conversar?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E eu, tu sabes, não consigo dormir.
Gostava de estar ao lado e ver os teus olhos sorrir.
Liliana Lima
sabias meu amor?
E nas noites de Lua Nova, tu sabes,
tudo me parece mais estranho e assustador
todo o mundo parece girar em meu redor
e dos fantasmas que tão bem conheces.
Consegues alcançar o fumo que assalta o meu olhar?
Estás aí sequer?
Ou já dormes enrolado nas velas dos teus moinhos vento?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
O mar, desapareceu num horizonte profundo
e eu, (só tu sabes) que não gosto do escuro,
procurei na forma certa das estrelas o caminho
para me encontrar.
Dás-me a mão para me acalmar?
Tens calma sequer?
Ou procuras também a tua noite iluminar?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E as luzes das casas, dos barcos, das fábricas,
parecem fugir de mim apenas para me assustar
e tu sabes que sem ver a estrada me sinto afundar.
Chamas o meu nome, para te encontrar?
Falas comigo sequer?
Ou estás ocupado com os teus fantasmas a conversar?
Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E eu, tu sabes, não consigo dormir.
Gostava de estar ao lado e ver os teus olhos sorrir.
Liliana Lima
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quinta-feira, junho 07, 2018
REALidade
Deixei de te dizer de mim
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
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quarta-feira, abril 04, 2018
ABRAço
E quando uma noite branca escurece num qualquer chão de cozinha desarrumada?
Quando uma flor aberta murcha num vaso esquecido?
Quando uma cama quente se deixa esfriar num milésimo de segundo?
Quando os lábios que recebem um beijo se não se permitem descongelar?
Quando o abraço que se levanta deixa vazio o corpo que fica deitado?
O que fazer com o branco da noite que nos escorre pelss mãos abertas?
Como semear uma nova flor num vaso sem água nem terra?
Como manter quentes os lençóis de seda azul celeste desmanchados pelo amor que ali se fez?
Como prolongar o beijo para lá dos lábios?
Como deixar um pouco do calor, da paixão, da alegria dum abraço, num corpo que se mantém só ao nosso lado?
Como ser suficiente quando a ferida vai para além dos limites dos mapas estelares que conhecemos?
Como amar alguém que teima em sentir-se abandonado?
Liliana Lima
Quando uma flor aberta murcha num vaso esquecido?
Quando uma cama quente se deixa esfriar num milésimo de segundo?
Quando os lábios que recebem um beijo se não se permitem descongelar?
Quando o abraço que se levanta deixa vazio o corpo que fica deitado?
O que fazer com o branco da noite que nos escorre pelss mãos abertas?
Como semear uma nova flor num vaso sem água nem terra?
Como manter quentes os lençóis de seda azul celeste desmanchados pelo amor que ali se fez?
Como prolongar o beijo para lá dos lábios?
Como deixar um pouco do calor, da paixão, da alegria dum abraço, num corpo que se mantém só ao nosso lado?
Como ser suficiente quando a ferida vai para além dos limites dos mapas estelares que conhecemos?
Como amar alguém que teima em sentir-se abandonado?
Liliana Lima
domingo, janeiro 28, 2018
QUADRAnte
Porque me vieste buscar, boneca de trapos vestida para teu bel prazer
Se não queres coser os remendos?
Porque me vieste buscar, relógio avariado, adiantado ou atrasado, quase nunca acertado com o teu
Sem a disponibilidade de calibrar os ponteiros e olear a engrenagem?
Porque que me vieste buscar, vela enfonada pelos ventos do oriente
Se não trazes contigo o quadrante?
Porquê?
Porque me dizes que queres uma paz que não sabes(emos) construir?
Querêla-às de facto?
Existirà sequer?
Porquê?
Diz-me.
Tu.
Que me vieste buscar...
Liliana
Se não queres coser os remendos?
Porque me vieste buscar, relógio avariado, adiantado ou atrasado, quase nunca acertado com o teu
Sem a disponibilidade de calibrar os ponteiros e olear a engrenagem?
Porque que me vieste buscar, vela enfonada pelos ventos do oriente
Se não trazes contigo o quadrante?
Porquê?
Porque me dizes que queres uma paz que não sabes(emos) construir?
Querêla-às de facto?
Existirà sequer?
Porquê?
Diz-me.
Tu.
Que me vieste buscar...
Liliana
Museu da Electricidade
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sexta-feira, agosto 25, 2017
SEGUndos
Vejo
tudo centésimos de segundos antes de acontecer
E saio
de dentro de mim para me defender
Mas fico
imóvel, parada num tempo que não quero ver
Retiro
tudo de mim para fora da cena
E olho
para dentro dela, de fora, como num teatro de marionetas
Fecho
os sentimentos e as emoções no local mais escondido em mim, congelada na peça
E olho
para dentro dela, de fora, o mais friamente que consigo
Gravo
toda a acção de todos os actos que se seguirem
E revivo tudo
já de fora, segundos, minutos, semanas às vezes, depois da peça sair de cena
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Assusto-me
quando deixo escapar os milésimos de segundo de segurança
E não consigo sair
de mim, e deixar de sentir, e virar as costas, e defender-me a tempo
E então absorvo
todo o guião como barro girando que se vai moldando pelas mãos do artesão
E então salto
para outros filmes qual Alice caindo noutra dimensão
E então não controlo
a realidade que vivo, porque no palco um labirinto de espelhos faz-me perder de mim
E então assusto-me
com esta montagem desordenada que, tantas vezes, ultrapassa o que, na verdade, se passa nesses milésimos de segundo
Vivo
todas as cenas de uma só vez
Re.ajo
de acordo com o tamanho dos moinhos que rodam dentro de mim
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Liliana Lima
tudo centésimos de segundos antes de acontecer
E saio
de dentro de mim para me defender
Mas fico
imóvel, parada num tempo que não quero ver
Retiro
tudo de mim para fora da cena
E olho
para dentro dela, de fora, como num teatro de marionetas
Fecho
os sentimentos e as emoções no local mais escondido em mim, congelada na peça
E olho
para dentro dela, de fora, o mais friamente que consigo
Gravo
toda a acção de todos os actos que se seguirem
E revivo tudo
já de fora, segundos, minutos, semanas às vezes, depois da peça sair de cena
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Assusto-me
quando deixo escapar os milésimos de segundo de segurança
E não consigo sair
de mim, e deixar de sentir, e virar as costas, e defender-me a tempo
E então absorvo
todo o guião como barro girando que se vai moldando pelas mãos do artesão
E então salto
para outros filmes qual Alice caindo noutra dimensão
E então não controlo
a realidade que vivo, porque no palco um labirinto de espelhos faz-me perder de mim
E então assusto-me
com esta montagem desordenada que, tantas vezes, ultrapassa o que, na verdade, se passa nesses milésimos de segundo
Vivo
todas as cenas de uma só vez
Re.ajo
de acordo com o tamanho dos moinhos que rodam dentro de mim
E sinto
todas as emoções numa espiral que mais ninguém vê
E demoro
muito tempo a encontrar a saída para dentro de mim
E desisto
de explicar esta complexa trama que bordo em torno de mim
Liliana Lima
quarta-feira, agosto 23, 2017
as VELHAS da praia
Sei que voltas. Mas ainda agora saíste e já algo de nós ficou. Um nó, uma rede, que caiu no porão com o embate das tuas malas.
Sei que voltas. Mas os minutos estendem-se para além das horas. E lá fora podia jurar que "as velhas da praia" a gritar... Mas, "São loucas! São loucas?"
Sei que voltas. Mas dói esta presença ausente que me faz esperar junto à janela desta lua que me/te ilumina como que numa promessa velada.
Sei que voltas. Mas não posso continuar a pedir às gaivotas que me guardem, "perfeito, o meu coração".
Sei que voltas. Mas tenho de me proteger, e ainda que 'tudo em meu redor me diga que estás sempre comigo', não te vejo, não te oiço, não te sei.
Sei que voltas. Mas quem és quando aqui não estás, não é quem por cá se instalou de pedra e cal 'dentro do meu coração'.
Sei que voltas. Mas pergunto ao luar como se volta depois deste afastar.
Sei que voltas. Mas sei também da surpresa, da interrogação, da não compreensão. E sei o quanto marcam a ferro e fogo o fundo do meu coração.
Sei que voltas. Sei até que já tentaste encurtar o caminho desenhado por ti a lápis azul no mapa astral dos planetas e constelações.
Sei que voltaste.
Mas como aquecer o vazio se "acordei tremendo deitada na areia"?
Sei que voltaste.
"Como sempre, como antes". Como se o tempo aqui tivesse congelado à espera do teu olá.
Sei que voltaste.
E foi no momento em que pegaste nas malas que me apercebi que quem fica não tem uma redoma onde pára os ponteiros e abafa os sentimentos.
Sei que voltaste.
Diz-me, então, que faço eu agora com a bagagem que nestas noites carreguei?...
Liliana Lima
Sei que voltas. Mas os minutos estendem-se para além das horas. E lá fora podia jurar que "as velhas da praia" a gritar... Mas, "São loucas! São loucas?"
Sei que voltas. Mas dói esta presença ausente que me faz esperar junto à janela desta lua que me/te ilumina como que numa promessa velada.
Sei que voltas. Mas não posso continuar a pedir às gaivotas que me guardem, "perfeito, o meu coração".
Sei que voltas. Mas tenho de me proteger, e ainda que 'tudo em meu redor me diga que estás sempre comigo', não te vejo, não te oiço, não te sei.
Sei que voltas. Mas quem és quando aqui não estás, não é quem por cá se instalou de pedra e cal 'dentro do meu coração'.
Sei que voltas. Mas pergunto ao luar como se volta depois deste afastar.
Sei que voltas. Mas sei também da surpresa, da interrogação, da não compreensão. E sei o quanto marcam a ferro e fogo o fundo do meu coração.
Sei que voltas. Sei até que já tentaste encurtar o caminho desenhado por ti a lápis azul no mapa astral dos planetas e constelações.
Sei que voltaste.
Mas como aquecer o vazio se "acordei tremendo deitada na areia"?
Sei que voltaste.
"Como sempre, como antes". Como se o tempo aqui tivesse congelado à espera do teu olá.
Sei que voltaste.
E foi no momento em que pegaste nas malas que me apercebi que quem fica não tem uma redoma onde pára os ponteiros e abafa os sentimentos.
Sei que voltaste.
Diz-me, então, que faço eu agora com a bagagem que nestas noites carreguei?...
Liliana Lima
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segunda-feira, abril 10, 2017
GAveTA
Vivemos numa gaveta cada vez mais delimitada. Reservada. Supostamente aberta mas a cada dia mais fechada. Apertada.
Lá dentro, a sós, a música toca sempre certa no rádio que canta tudo o que não vivemos enquanto avisa que a cidade, adormecida, está pronta para nós.
Cá fora, fora do tempo e da música e da gaveta, com a cidade acordada, trocamos palavras invisíveis sobre sentimentos amordaçados. Cada vez mais limitados às paredes desta gaveta feita cama.
Cá dentro, nesta cama-gaveta cumpre-se a coreografia perfeita, de tantas vezes dançada. O ar é quente e os corpos dão-se sem pudores ou receios.
Mas sempre que pela fresta aberta entra a luz lá de fora, todo o espaço se preenche com os fantasmas e as feridas e os receios que tingem os silêncios, cortam as horas e consomem o ar.
Estamos numa gaveta cada vez mais delimitada. Eu finjo que não sinto. Tu finges que não sabes.
Liliana Lima
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domingo, abril 02, 2017
manter PERTO
Afasto(-me) depois de tantos ameaços gritados no espaço vazio que separa as palavras que (te) continuo a dizer
Afasto(-te) em cada silêncio que continuas a fazer ecoar dentro do meu ser
Afasto(-me) das palavras que já não consigo encaixar no fundo do meu reflexo nas águas
Afasto(-te) com medo das letras que unes e me ofereces em palavras ditas com uma incerteza que se me crava na pele
Afasto(-nos) de todo meu querer, o meu sentir, a mimha vontade, que antes repetia para nos aproximar, mas que hoje retraio com medo de tudo o que não me dizes
Afasto(-nos) das palavras amor, carinho, olhos, mãos, corpo... com receio das palavras fantasma, ainda, quase, acho, não sei
Afasto(-me), porque me parece ser a única forma de me manter perto
Liliana Lima
segunda-feira, março 20, 2017
_ti
Passam os dias pela minha janela sem olhar para mim. Pergunto-lhes para onde vão, dizem-me que apenas sabem que não param aqui, onde, em frente ao espelho, me arranjo para ti.
Rolam os sonhos por sobre a minha almofada sem, contudo, me tocarem na noite que custa a passar. Peço-lhes que se aninhem a mim, respondem-me que não se deitam ali, onde, no escuro, procuro por ti.
Correm as horas e as datas e o desejos que a eles se colam. Chamo-os para o meu lado, abro-lhes um abraço, contam-me que não têm espaço ali, onde, sozinha, espero por ti.
Liliana Lima
Rolam os sonhos por sobre a minha almofada sem, contudo, me tocarem na noite que custa a passar. Peço-lhes que se aninhem a mim, respondem-me que não se deitam ali, onde, no escuro, procuro por ti.
Correm as horas e as datas e o desejos que a eles se colam. Chamo-os para o meu lado, abro-lhes um abraço, contam-me que não têm espaço ali, onde, sozinha, espero por ti.
Liliana Lima
segunda-feira, janeiro 09, 2017
pLuRaL
Como ser plural se sonhamos no singular?
Dias e dias que se tornam meses e acabam, de repente, em anos vividos a par. Numa soma de momentos a dois, isolados numa distorção temporal, e recriados em cenários "pré-vistos" num argumento com a duração máxima de uma semana.
Como multiplicar amor quando uma das suas múltiplas incógnitas é, à partida, igual a zero?
Vivemos um romance ou uma série de contos que, com base nas mesmas personagens, vão avançando, sem rumo nem rota, atrás dos humores duma audiência invisível?
A que aspiram as duas mãos que se enroscam para combater o frio?
Que sentido segue o suor quente das noites brancas, se ao nascer do Sol os corpos arrefecem frios em camas distantes?
Que procuram as perguntas numa narrativa que não aceita dúvidas?
De que sentido tão profundo nasce a inquietação da distância, da ausência, do silêncio?
Para onde correm as lágrimas que teimam em existir numa tentativa amarga de entender o que não se quer explicado?
É possível um amor que não sonha em conjunto?
Liliana Lima
Dias e dias que se tornam meses e acabam, de repente, em anos vividos a par. Numa soma de momentos a dois, isolados numa distorção temporal, e recriados em cenários "pré-vistos" num argumento com a duração máxima de uma semana.
Como multiplicar amor quando uma das suas múltiplas incógnitas é, à partida, igual a zero?
Vivemos um romance ou uma série de contos que, com base nas mesmas personagens, vão avançando, sem rumo nem rota, atrás dos humores duma audiência invisível?
A que aspiram as duas mãos que se enroscam para combater o frio?
Que sentido segue o suor quente das noites brancas, se ao nascer do Sol os corpos arrefecem frios em camas distantes?
Que procuram as perguntas numa narrativa que não aceita dúvidas?
De que sentido tão profundo nasce a inquietação da distância, da ausência, do silêncio?
Para onde correm as lágrimas que teimam em existir numa tentativa amarga de entender o que não se quer explicado?
É possível um amor que não sonha em conjunto?
Liliana Lima
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quarta-feira, setembro 14, 2016
n.i.n.h.o.s
Ninhos de ideias escondidos nos ramos mais altos
Ovos onde se geram as vontades e nascem os quereres
Palavras que não dizem o que querem dizer
E espelhos que apenas reflectem metade do que se é
Árvores que não consigo subir
Ideias fechadas dentro da casca
Espelhos que não me querem ver
Ninhos de ideias que não consigo ver
Vontades que não posso conhecer
Palavras que não se deixam dizer
Liliana
sexta-feira, agosto 26, 2016
a.QU.í
Não estou aqui
Também não estou aí
Estou algures entre o agora e o sonho
Entre o que espero e o que receio
Não estou aqui
Espero por ti
Para te perguntar por mim
Espero encontrar-te no que escrevo para saber que me vês
Não estou aqui
Quero-te aí
E quero que me queiras aqui
Quero perceber que te falta o que de mim se perdeu, à procura de ti
Não estou aqui
Também não estou aí
Vagueio pelos dias numa ausência presente que me afasta do que (não) vivo sem ti
Liliana
Também não estou aí
Estou algures entre o agora e o sonho
Entre o que espero e o que receio
Não estou aqui
Espero por ti
Para te perguntar por mim
Espero encontrar-te no que escrevo para saber que me vês
Não estou aqui
Quero-te aí
E quero que me queiras aqui
Quero perceber que te falta o que de mim se perdeu, à procura de ti
Não estou aqui
Também não estou aí
Vagueio pelos dias numa ausência presente que me afasta do que (não) vivo sem ti
Liliana
segunda-feira, agosto 15, 2016
Pra ia
Escorre-me a areia por entre os dedos ao sabor do vento
E no entanto podia jurar que ainda agora a tua mão na minha
O Sol consome todo o horizonte com o virar da ampulheta
São corpos recortados no prateado intenso que invadem a praia
Figuras indistintas que não consigo nomear
Semi-cerro os olhos doridos com a força da luz para te procurar
E no entanto ainda agora podia jurar que te estava a abraçar
Liliana Lima
quarta-feira, agosto 03, 2016
AMAnhã
Tenho uma urgência de viver que faz o meu tempo rolar como um cometa que rasga os ceus e, mais cedo ou mais tarde, embate na velocidade cruzeiro das tuas palavras. Vivo em aparente agitação, na verdade apenas a vontade de me/te dizer, saber, sentir, partilhar.
Tenho uma urgência de me dar que me atira sobre a areia ou recolhe de volta para o mar, conforme os teus olhos me vêm a mim, ou através de mim diluida numa maré baixa onde não estás.
Tenho uma urgência em amar que me leva a bater-te à porta com tudo o que tenho, o bom e o mau, o bonito e o feio. Deitar-me nas tuas mãos e esperar que me saibas acolher.
Tenho uma urgência em dizer-me, ser em palavras, nas minhas palavras tão longe e tão perto das tuas, que por vezes pareço estrangeira. Eu que pensava a língua do amor universal e no entanto esta diversidade de sentires e quereres que urge entender.
Tenho uma urgência no estar, partilhar o espaço e as ideias e o banal de cada dia. Navego neste barco que não consigo parar e que segue a com corrente do meu tempo e a força dos ventos em que me dou e, na verdade, (sei-o tão bem) acaba sempre por zarpar antes do teu.
Esta urgência de mim choca com a velocidade cruzeiro de ti. Estudo o mapa e procuro os pontos cardeais da vida.
Quem sabe amanhã nos reencontremos num mundo só nosso "que pula e avança como bola colorida ente as mãos de uma criança"?
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Tu
terça-feira, agosto 02, 2016
emBaLo
Diz-me como adormecer sem o teu corpo enlaçado no meu... Como deitar a cabeça nesta almofada fria depois da minha, ao teu lado, ter arrumado?
Diz-me como embalar este silêncio que na noite ecoa se nele não sinto o teu respirar... Como desmontar os medos, que me espreitam da janela, se não oiço a tua voz para me acalmar?
Diz-me como adormecer sem o teu beijo de boas noites que o meu acorda... Como acalmar o meu corpo vazio sem o calor do teu?
Diz-me, como encontrar o sonho sem te saber no meu?...
Liliana
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