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sábado, junho 09, 2018

chEIRO

Alguma coisa sem importância fez-me pensar em ti. Pintei-te dentro de mim, bem real, bem claro. Sentado na sala em frente à televisão. Encostado, descontraído.

Alguma coisa sem importância lembrou-me de ti, de forma bem clara e bem real. Com os olhos fechados, num repente, parecia ter-te aqui, na sala, tão perto que o teu cheiro me invadiu os sentidos e baralhou as realidades.

Nunca me tinha acontecido uma memória avivar uma sensação tão real, tão clara. Já te tenho dentro de mim de tal forma vivo que, mesmo sem estares te sinto, te antevejo as reacções e até te cheiro ao meu lado.

Uma coisa qualquer, sem qualquer importância, acendeu no meu corpo o cheiro, único, do teu. Será que, por aí, sentes o meu?...

Liliana Lima




sábado, junho 02, 2018

SuSpiro

No silêncio das palavras

Abraço
Vontade
Beijo
Tejo

Abraço
Querer
Tejo
Beijo

Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço

Me perco e nos encontro

Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo

Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço

Me sinto e nos uno

No silêncio das palavras


Liliana Lima


quarta-feira, abril 04, 2018

ABRAço

E quando uma noite branca escurece num qualquer chão de cozinha desarrumada?
Quando uma flor aberta murcha num vaso esquecido?
Quando uma cama quente se deixa esfriar num milésimo de segundo?
Quando os lábios que recebem um beijo se não se permitem descongelar?
Quando o abraço que se levanta deixa vazio o corpo que fica deitado?

O que fazer com o branco da noite que nos escorre pelss mãos abertas?
Como semear uma nova flor num vaso sem água nem terra?
Como manter quentes os lençóis de seda azul celeste desmanchados pelo amor que ali se fez?
Como prolongar o beijo para lá dos lábios?
Como deixar um pouco do calor, da paixão, da alegria dum abraço, num corpo que se mantém só ao nosso lado?
Como ser suficiente quando a ferida vai para além dos limites dos mapas estelares que conhecemos?
Como amar alguém que teima  em sentir-se abandonado?

Liliana Lima


segunda-feira, abril 10, 2017

GAveTA

Vivemos numa gaveta cada vez mais delimitada. Reservada. Supostamente aberta mas a cada dia mais fechada. Apertada.


Lá dentro, a sós, a música toca sempre certa no rádio que canta tudo o que não vivemos enquanto avisa que a cidade, adormecida, está pronta para nós. 



Cá fora, fora do tempo e da música e da gaveta, com a cidade acordada, trocamos palavras invisíveis sobre sentimentos amordaçados. Cada vez mais limitados às paredes desta gaveta feita cama.



Cá dentro, nesta cama-gaveta cumpre-se a coreografia perfeita, de tantas vezes dançada. O ar é quente e os corpos dão-se sem pudores ou receios. 



Mas sempre que pela fresta aberta entra a luz lá de fora, todo o espaço se preenche com os fantasmas e as feridas e os receios que tingem os silêncios, cortam as horas e consomem o ar.


Estamos numa gaveta cada vez mais delimitada. Eu finjo que não sinto. Tu finges que não sabes. 

Liliana Lima


segunda-feira, agosto 01, 2016

AlemTejo

Despes-me pétala a pétala, deitando o caule sobre as planícies douradas no final de mais um dia de Verão.

Tapo-me com as espigas que ondulam ao passar da tua aragem.  Aqui e ali as papoilas nascem e pintalgam o horizonte de vermelho. São o meu desejo que desponta nas curvas recortadas pelos acobreados que inundam o céu.

Ao fundo o teu vento entra por entre as searas e ceifa os campos, deixando um sulco de terra húmida que rasga os caminhos e penetra nos vales.

As papoilas soltam as pétalas vermelhas que esvoaçam e dançam com o vento que arrepia as searas desnudadas ao luar.

Sou caule e planície, e espero-te em cada espiga para aprisionar o teu vento, atrasar a ceifa e te fazer terra onde, semeada por ti, renasço.

O fim do dia agita os pássaros que voam em círculos e enchem o espaço com o seu chilrear. É nesse voo que, depois do Sol se esconder por completo e a Lua olhar o ondular dos campos húmidos e despenteados, nos encontramos, finalmente.

Com muito cuidado apanho as pétalas que espalhaste e entrego-te as espigas em que me deitei.

A Lua sorri enquanto todo o Alentejo adormece no silêncio prateado do nosso acordar.



Liliana Lima


sexta-feira, junho 10, 2016

Espera...

Hoje não quero esperar por ti
pelo teu beijo quente 
que humedece o meu corpo

Hoje não quero esperar pelos teus olhos 
que me despem
e me deitam na cama 

Hoje não quero esperar pelas tuas mãos 
que me desenham os seios 
descem as costas
e envolvem o ventre

Hoje não quero esperar por ti 
que abras a porta 
e feches a luz
para nos vermos melhor 

Hoje 
Quero 
Ser
Em
Ti 


Liliana Lima