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sexta-feira, agosto 24, 2018

não CONSIGO

Não consigo dizer que, não consigo
E enrolo-me numa teia de histórias que separo por cores

Não consigo dizer que, não consigo
E afundo-me num pântano escuro onde não vejo nada

Mas a ti, digo
Não sei pintar as palavras sem que as percebas falsas
Não sei fingir o sorriso que conheces de cor

Mas a ti, digo
Que não consigo avançar
Que não consigo (re)começar
Que nem me consigo levantar

Não consigo dizer que, não consigo
Mas a casa por arrumar
E os filhos para almoçar
E as certezas que devo inspirar
E as peças com que devo jogar
E a vida, enfim, por encarar

Levanto-me
Visto o vestido mais leve
Penteio aquele olhar
Reinvento aquele sorriso
E...
Não consigo dizer
O que dentro de mim está a gritar

Não consigo continuar


Liliana Lima


domingo, agosto 12, 2018

sabias MEU amor?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E nas noites de Lua Nova, tu sabes,
tudo me parece mais estranho e assustador
todo o mundo parece girar em meu redor
e dos fantasmas que tão bem conheces.
Consegues alcançar o fumo que assalta o meu olhar?
Estás aí sequer? 
Ou já dormes enrolado nas velas dos teus moinhos vento?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
O mar, desapareceu num horizonte profundo 
e eu, (só tu sabes) que não gosto do escuro,
procurei na forma certa das estrelas o caminho
para me encontrar.
Dás-me a mão para me acalmar?
Tens calma sequer?
Ou procuras também a tua noite iluminar?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E as luzes das casas, dos barcos, das fábricas,
parecem fugir de mim apenas para me assustar
e tu sabes que sem ver a estrada me sinto afundar.
Chamas o meu nome, para te encontrar?
Falas comigo sequer?
Ou estás ocupado com os teus fantasmas a conversar?

Hoje não há luar,
sabias meu amor?
E eu, tu sabes, não consigo dormir. 
Gostava de estar ao lado e ver os teus olhos sorrir.

Liliana Lima