É cá dentro que continuas a dizer-me bom dia
É cá dentro que me acompanhas na eterna correria
É cá dentro que me visto de ti para me construir a mim
Querias ficar no Tejo, disseste-me um dia
Querias ficar nas águas que tantos anos te banharam
Querias ficar ali
Podem as margens conter-te de uma só vez?
Podem as águas embalar o teu sono de vez?
Posso largar-te sem quebrar os laços que nos juntaram?
E, por consequência, perder-me nas lágrimas que se afundaram?
Quantas vezes choramos um adeus?
Queria deixar-te no Tejo, como pediste um dia
Deixar-te em paz nas águas que tão bem conhecias
Queria deixar-te ali
Se é cá dentro que continuas a florir
Nas receitas
Nas feições
Nos dizeres
Nas graças
Nas roupas
Nos gostos
Nas escolhas
Nas canções
Nos caminhos
Porque pesavas tanto, quando te deixei cair?
Podem as margens conter-te de uma só vez?
Podem as águas embalar o teu sono de vez?
Posso largar-te sem quebrar os laços que nos juntaram?
E, por consequência, perder-me nas lágrimas que se afundaram?
Quantas vezes choramos um adeus?
Liliana Lima
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sábado, abril 13, 2019
MARgens
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terça-feira, outubro 11, 2016
pALMA
Aperto o relógio na palma da mão, os minutos demoram horas a passar e a noite avança sem esperar por mim
Espero
Espero dias que parecem infinitos, por entre os destroços das batalhas que travo entre o que quero e o que gostava de querer
Guardo dentro de mim o pó das lágrimas secas à força do vento que eu própria sopro para enfonar as velas de cada partida
Abraço as certezas, ainda que efémeras, ainda que trémulas e sorrio para os ponteiros na esperança de os ver dançar com um tempo que teima em não se encontrar com o meu
Espero
Espero noites e noites, despida de ilusões, deitada numa cama de rede que baloiça entre o que sou e o que não quero ser
Procuro dentro da redoma em que me escondo do tempo a chave para dar corda ao relógio de pé que me olha, imóvel, num canto da sala
Sento-me à beira-rio com as inquietações o mais aquietadas possível e recorto pequenas luas onde desenho números romanos
Peço ao lado de mim que tenta abafar o outro, que me deixe soltar os ponteiros
Aperto o relógio na palma da mão
E espero
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domingo, novembro 23, 2014
SEI - te
Pego-te na mão, pequeno que te quero, na ânsia de não te ver correr para fora do mundo que conheço.
Sim, sei-te com vontade de descobrir o mar e brincar com as ondas que dançam com o teu corpo. Sinto-te inquieto olhando as conchas deitadas na areia macia que te toca os pés quando te descalço. Percebo a necessidade de entrares no barco e velejar à volta dum mundo tão maior que o que tenho para te dar.
Pego-te na mão baloiçando entre o não te querer deixar voar e o entender que é essa mesma a minha obrigação - dar-te asas.
Dou-te um balão colorido para saber de ti, pequeno que te quero, ao seguires sorridente em busca das mil e uma noites. Embrulho-te numa capa para te proteger do frio dos ventos marítimos. E, contigo à porta de olhos meigos e coração decidido, despeço-me em silêncio que as palavras embargam-se-me na garganta.
Pego-me na mão, pequena que me sinto, e olho o rio que não me conta de ti.
Suspiro, triste na minha noite, e peço às estrelas que te velem o caminho. Sento-me na ponta da cama e um pano negro cobre-me a razão. Escorre-me a chuva dos olhos e, por momentos, vejo-me sozinha no quarto olhando o balão que deixaste colado ao tecto.
Suspiro, triste na minha noite, e peço às estrelas que te velem o caminho. Sento-me na ponta da cama e um pano negro cobre-me a razão. Escorre-me a chuva dos olhos e, por momentos, vejo-me sozinha no quarto olhando o balão que deixaste colado ao tecto.
Sim, sei-te descobrindo portas e abrindo janelas que há muito te esperam. Percebo, que sabes que podes voltar. Inquieto-me, na possibilidade de preferires ficar.
Liliana
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