Mostrar mensagens com a etiqueta kiko. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta kiko. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 22, 2017

o que É o TEMPO?


-Já foi há muito tempo. 
Digo-te eu, ao fundo do corredor. 
-O que é o tempo? 
Perguntas-me em silêncio enquanto me dizes,
-Já não te lembras de mim?
Com uma estranheza sincera espelhada nos olhos que me espreitam, ao fundo do corredor.
-Claro que sim! Lembro-me muito bem de ti. Embora tenha passado tanto tempo.
-O que é o tempo? Voltas a perguntar-me em silêncio enquanto me dás um beijo e me deixas abraçar-te.

Eras uma menina tão pequenina que cabias no meu colo mesmo quando eu chegava carregada dos pesos que os dias constroem. E, de sorriso rasgado, desmontavas os muros e deixavas-me abraçar-te.
Depois corrias de um lado para o outro, brincavas com tudo e com nada e deixavas o Francisco cheio de ciúmes, a tentar ocupar todo o espaço do meu colo onde, por muito cheio que estivesse, havia sempre espaço para ti. 

Mas isso já foi há muito tempo. Hoje és uma menina crescida e se calhar já nem cabes no meu colo. 
-O que é o tempo? 
Repetes em silêncio enquanto me mostras que este abraço é verdadeiro e caberá sempre no teu colo.

Foi há muito pouco tempo. Tão pouco que quase não chegava a tempo de te dizer que me lembrarei sempre de ti. 
-O que é o tempo? 
Perguntas-me enquanto aí, ao fundo do corredor, sorris e me dizes, 
-Até já! 

E sais para outro tempo. Aquele que nunca foi nem será. Aquele que não distingue o hoje do ontem, nem do amanhã. 
Ao fundo do corredor, vejo-te entrar num tempo que simples e eternamente É. 

E enquanto te vejo afastar, menina pequenina que cabe no meu colo, de sorriso rasgado que faz ciúmes ao Francisco, respondo-te,
-Até já!

Liliana Lima 



sábado, abril 02, 2016

KikO

Procuro debaixo dos lençóis, onde te enfiaste mais uma vez para "aquecer", os dias - tantos -  que a aritmética me diz que passaram desde a hora agitada em que te tiraram de dentro de mim. 
Mas, juro, não os encontro. 

Persigo, na cama onde te deito já a dormir, o rasto dos anos - tantos - que as fotografias dos teus primeiros minutos de vida me asseguram já somas. 
Mas, juro, não os descubro. 

Aconchego o teu corpo roliço, e antes de puxar os cobertores, descalço os teus pés miúdos. Sempre identifiquei os bebés pela forma arredondada dos pés que, com o correr do tempo se moldam ao andar. 
Mas, com um pézito em cada mão, juro, apenas vejo o bebé que, afinal há nove anos (já não) és... 

Liliana Lima