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terça-feira, outubro 23, 2018

E.stás A.trás da PORTA, Eugénio?

Saber a paz tão perto, ali já, atrás da porta
Sentir o mar, lá ao fundo, a cantar cá dentro
Descobrir o sorriso, sempre novo, a cada dia
Aprender a tranquilidade no final de cada espera

E... saber-te na paz de estar, aqui mesmo, atrás da porta

Deixar cair as barreiras, uma a uma, aproveitando todos os espaços novos para suspirar
Acreditar que o castelo de areia se desfaz, apenas para se refazer a cada madrugada
Encontrar a surpresa duma harmonia que respira, viva, em mim

E... saber-me na paz de deixar a inquietação, enfim, atrás da porta

Liliana



Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade 

quarta-feira, setembro 19, 2018

comunHÃO

Há o mar e o Sol que se esconde no horizonte
Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
E há um espelho que mostra tudo o que não queremos esconder
E um café bebido em profunda comunhão

Há a surpresa inicial que se repete, devagar
Há o mar e o Sol que nos cumprimenta
Há o inesperado e tudo o que nos é natural
E há um copo partilhado em profunda comunhão

Há um sapatinho florido e uma chávena perdida
Há um longo ronronar que faz ecoar o silêncio
Há um espelho que se esconde para não incomodar
E um beijo antecipado em profunda comunhão


Liliana Lima



domingo, setembro 16, 2018

vamos cantar Zeca!

Lavar a alma no mar 

Menina das ondas, 
vem espreitar.
Aqui 
podes descansar 
Assim 
podes amar

Sorri, 
vamos cantar. 


Liliana Lima





Senhor arcanjo
Vamos jantar
Caem os anjos
Num alguidar

Hibernam tíbias
Suspiram rãs
Comem orquídeas
Nas barbacãs

Entra na porta
Menina-faia
Prova uma torta
Desta papaia

Palita os dentes
Põe-te a cavar
Dormem videntes
No Ultramar

Que bela fita
Que bem não está
A prima Bia
De tafetá
E vai o lente
Come um repolho
Parte-se um pente
Fura-se um olho

A pacotilha
Tem mais amor
À gargantilha
Do regedor

Põe a gravata
Menino bem
Que essa cantata
Não soa bem

Senhor arcanjo
Vamos jantar
Caem os anjos
Num alguidar

E as quatro filhas
Do marajá
Vão de patilhas
Beber o chá

Zeca Afonso
Sr Arcanjo

segunda-feira, setembro 10, 2018

imPROVÁVEL

E de repente a noite baixa, como uma canção antiga que nos embala na madrugada.
Uma tonalidade improvável enche-nos o peito e canta a tranquilidade do Sol que mergulha no mar.
Como se todos os dias de todos os cantos do mundo se fundissem num inesperado requiem.
Como se todas as ondas de todas as praias se calassem para ouvir o canto de cada búzio.
Como se todos anjos de todas as cores em todas as igrejas se juntassem para deixar ecoar a paz.
E, de repente a noite baixasse, meiga, como uma canção antiga que nos embala na madrugada.

Liliana