Há sempre o dia depois
Há sempre a manhã seguinte
que tráz na aurora
os cheiros
os sons
os movimentos
que nos levaram até...
ao dia depois
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a palavra que vem
Há sempre a escolha
de dizermos ou não
como chegámos
o que demos
quanto recebemos
para tentarmos chegar até...
à palavra que vem
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Há sempre a espera
Há sempre o silêncio
que nos pára em frente
do espelho
do ontem
da dúvida
de como agir até...
superar a espera
Há sempre o amanhã
de tudo o que fomos ontem
em sintonia ou não
em paz ou exaltação
Há sempre o depois daquilo que se segue
e todas as palavras que com ele rimam
E a esperança que o hoje espere
por este dia que é também amanhã
Liliana Lima
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quarta-feira, abril 03, 2019
AMAnhã
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silêncio
sábado, outubro 06, 2018
Do La.Do esquerdo
às vezes confundo o lado esquerdo com o direito
diria mesmo que mudam de lado, num segundo incompleto
baralhando o lado em que estou e caindo a pique para o outro, tão imperfeito
às vezes confundo o lado em que bate, tranquilo, o meu coração
com o lado em que me enrosco para sentir o teu corpo
respirando, profundamente coordenados com o bater da ondulação
às vezes procuro-te no lado ao lado da vida que espera
num jardim que se encanta com tudo o que se canta
e expõe lado a lado, a vida, florida, em plena Primavera
às vezes o meu lado direito passa a ser esquerdo
diria mesmo que se fundem, num beijo quase perfeito
quando os corpos, abraçados, fazem do meu peito o teu lado direito
Liliana Lima
diria mesmo que mudam de lado, num segundo incompleto
baralhando o lado em que estou e caindo a pique para o outro, tão imperfeito
às vezes confundo o lado em que bate, tranquilo, o meu coração
com o lado em que me enrosco para sentir o teu corpo
respirando, profundamente coordenados com o bater da ondulação
às vezes procuro-te no lado ao lado da vida que espera
num jardim que se encanta com tudo o que se canta
e expõe lado a lado, a vida, florida, em plena Primavera
às vezes o meu lado direito passa a ser esquerdo
diria mesmo que se fundem, num beijo quase perfeito
quando os corpos, abraçados, fazem do meu peito o teu lado direito
Liliana Lima
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quinta-feira, abril 05, 2018
O canto DA papOILA
Fui descendo a calçada
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
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sábado, março 31, 2018
PAR.is
Ela chamou-o para jantar
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou
Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção
Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores
Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas
Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer
Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia
Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu
Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar
Liliana Lima
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou
Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção
Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores
Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas
Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer
Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia
Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu
Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar
Liliana Lima
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a par,
a ti,
abraço,
amor,
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flores,
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