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sexta-feira, agosto 26, 2011

Tanto silêncio, Maria...

Porque 'às vezes' é mesmo no meio de muita gente e barulho que conseguimos, de facto, ouvir o nosso silêncio.

Bem aventurados os que conseguem adormecer embalados pela sua paz interior...

Liliana


06-09-2006


“Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou “

Silêncio e tanta gente de Maria Guinot

quinta-feira, maio 06, 2010

Queres que te empreste o meu espelho, Maria?

Tenho um espelho de olhares, sorrisos e brilhos recortado, a quem pergunto qual de mim é a mais bonita.

Tenho um espelho que me fala por entre olhares cúmplices e me escolhe entre todas as que reflicto nos seus mil fragmentos brilhantes.

Tenho um espelho que me faz sorrir sempre que me devolve o melhor lado de mim mesma, me afaga e anima, enquanto esqueço que sou todas as outras.

Tenho um espelho que me faz sentir brilhante, viva, alegre e bonita, ao mesmo tempo que me convence que devolve somente a minha verdade.

Tenho um espelho que me projecta no azul claro das manhãs de primavera em que o céu e o rio se fundem e se confundem, alheios ao mundo que os rodeia.

Tenho um espelho que guardo comigo para, nas horas em que me perco dentro de mim, me ajudar a ver onde está a face certa, o melhor perfil, o retrato mais fiel, enquanto lhe pergunto qual de mim é a mais bonita.

Liliana




"e multipliquem os espelhos que cantam
tenho o coração escondido para que ninguém o veja
conheço a chuva dos olhos e encosto o ouvido
aos joelhos

dou-te uma escada construída por relâmpagos
uma escada feita de folhas e de cântaros para
matar a sede
e uma pomba dentro do poema
para que possas morrer

cantar num rumor
do
fogo"


"Explicação dos espelhos"
em "A chuva nos espelhos" de Maria Azenha

quinta-feira, outubro 29, 2009

Também já foste uma estrela, Maria?

Quando eu era uma estrela, brilhava para um público carinhoso, que atentamente me via abrir as portas do palco de par em par e entrar na sala iluminada pelas enormes janelas que convidavam o Tejo e inundavam toda actuação com um brilho azulado.

Quando eu era uma estrela, cantava sem medo perante os fãs que nunca faltavam aos concertos dos fim de tarde de inverno, banhados pelo burburinho da chuva que batia nas janelas e ecoava pela sala como uma enorme ovação.

Quando eu era uma estrela, dançava confiante os ritmos que o gira-discos soltava enquanto na sala, com lotação esgotada, os sorrisos de aprovação antecediam as palmas do final do espectáculo.

Quando eu era uma estrela sentia-me capaz de chegar à lua às costas dos sorrisos do meu bisavô. Terno, atento e paciente, largava a bengala e dava-me a mão à saída da cozinha. Os meus passos ansiosos e apressados tropeçavam na sua quase completa cegueira até chegarmos ao sofá da sala onde se sentava e aguardava o início do espectáculo, aplaudindo sempre "danças tão bem filha!", acarinhando sempre "Gosto muito desta canção!", incentivando sempre "Que teatro tão bonito!"...

Hoje não sou uma estrela, sou "apenas" uma contadora que, no meio de tanta gente, se apaga para deixar brilhar as palavras, na esperança que tropecem sempre que se cruzem com qualquer tipo de cegueira e que tenham força para iluminar todos os sorrisos pelo caminho.

Hoje não sou uma estrela, mas cada vez que sei a minha voz ecoar, no meio de tanta gente, em forma de contos que se espalham e se multiplicam noutras histórias que desconheço, sinto o o olhar quase cego do meu bisavô fazendo-me chegar à lua às costas do seu sorriso.

Liliana






"Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou"

"Silêncio e tanta gente" de Maria Guinot
(Obrigada ao K. que ontem me levou até ao meu bizavô!)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Silêncio e tanta gente - Maria Guinot


Porque 'às vezes' é mesmo no meio de muita gente e barulho que conseguimos, de facto, ouvir o nosso silêncio. Bem aventurados os que conseguem adormecer embalados pela sua paz interior...



“Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou “