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segunda-feira, abril 11, 2011

Só posso dar o que é meu...

Eu tenho de ser EU...

Entender-me como personagem principal desta peça, quantas vezes desinteressante, que vivo todos os dias... e perceber-me, também eu co-responsável pelo guião. Pensar que se quero flores em vez de pedras, basta-me semear bolbos e regar os vazos.

Mas tenho medo... medo de ser EU. Medo de não saber o que é ser eu própria, escolher as sementes erradas, plantar fora da época e não recolher frutos.

Eu tenho de ser EU...

Seguir o meu caminho de acordo com as minhas escolhas livres, opções cautelosamente pesadas na balança do coração, que é onde se joga toda a tensão dramática do texto.

Por isso um dia decidi que regaria todos os vazos, os meus e os teus (que me lês), os de todos que se cruzam comigo e ainda alguns abandonados, vazos de ninguém.

Esta é a base, o palco, onde assento os pés e espalho palavras que, a todo o custo, revisto de sonhos e polvilho de esperança, enquanto sonho nas flores que nascerão por aí.

Mas às vezes é difícil... ser EU. E acreditar que o um mundo pode ser um pouco mais colorido, sabendo que eu sou a tal co-responsável pelo guião...

Liliana



"Fado da Tristeza"

de Manuela de Freitas e José Mário Branco

sexta-feira, novembro 03, 2006

A amiga da Manuela de Freitas...

Ela tinha uma amiga

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que era quem me atendia quando eu telefonava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia para dizer que não estava


E quando eu insistia, e não desligava
Era sempre a Maria
Que me mentia e me consolava
E perguntava o que é que eu lhe queria

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que nunca sabia por onde ela andava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
De quem se servia quando me enganava

E quando eu lá ia, e não a encontrava
Era sempre a Maria
Que me dizia que ela não tardava
Que me jurava que ela voltaria

Quando eu ia buscá-la, e a gente saía
Era sempre a Maria que nos animava
Quando eu a convidava, e ela não queria
Era com a Maria que eu sempre dançava

E quando eu inventava uma melodia
Era sempre a Maria
Que me aplaudia, e ela não ligava
E eu ficava a cantar prá a Maria

No cinema, no escuro, quando eu a beijava
Ela empalidecia, a Maria corava
Ela não me ligava e adormecia
E era com a Maria
Que eu conversava
E que eu ficava quase até ser dia

Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia p'ra dizer que não estava
Até que outro dia ela me telefonou
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria!
E eu disse: "Maria, vai dizer que eu não estou!"




A não perder a versão musicada pelo José Mário Branco e cantada pelo Camané no album “Pela Noite Dentro” de 2001.