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terça-feira, novembro 06, 2018

lá FORA está frio, Adelaide!

Está frio, lá fora
Embrulho-me numa folha de papel e procuro o aconchego do bico do lápis de carvão
Procuro, revolto, despejo todas as narrativas que guardo na mala, mas não encontro o apoio incondicional do bico do lápis ao riscar o papel

Está frio, lá fora
Sem alternativas peço ao ecrã do telemóvel que aceite acolher as minhas palavras
Elas procuram-me,as palavras, costumo dizer. Mas quando me sinto perdida, são elas que me encontram e pedem para ser escritas.

Está frio, lá fora
Mas, sei-o, tenho já toda a história contada e resolvida
Ainda que sem o lápis de carvão, mesmo tendo de recorrer ao écran frio do telemóvel. Sinto as palavras coladas ao corpo, como uma manta quente e macia, aconchegando e traçando o caminho de volta, a mim

Lá fora, está frio...

Liliana Lima





Eu sei,
Lá fora a chuva cai
O sono já lá vai
e outra vez eu te amei
eu sei,
(penso em ti, penso em ti)
quando o sol nascer
(penso em ti, penso em ti)
vou ter que perder
o medo de te dizer
sou eu quem vai mudar
sou eu quem vai sair
talvez até chorar
não sei,
o que estará para vir
talvez eu vá mentir
o que lá vai, lá vai
lá fora a chuva cai
eu sei,
(penso em ti, penso em ti)
que a tristeza vem
(penso em ti, penso em ti)
ao deixar alguém
a quem tanto me dei
eu sei,
(penso em ti, penso em ti)
talvez vá perder
(penso em ti, penso em ti)
doa a quem doer
vou ter que te dizer não
sou eu quem vai mudar
sou eu quem vai sair
talvez até chorar
não sei,
o que estará pra vir
talvez eu vá mentir
o que lá vai, lá vai
lá fora a chuva cai
eu sei
sou eu quem vai mudar
sou eu quem vai sair
talvez até chorar
não sei
o que estará pra vir
talvez eu vá mentir
o que lá vai, lá vai
lá fora a chuva cai
eu sei... penso em ti

Letra de Adelaide Ferreira e Luís Fernando, música de Tozé Brito e orquestração de José Calvário.

sábado, março 31, 2018

PAR.is

Ela chamou-o para jantar
Abriu um abraço de par em par
e disse tudo o que há muito ele esperava ouvir
No seu corpo, há tanto tempo sedento do dela, aceitou,
num beijo doce em que se permitiu fugir,
e na manta de retalhos, por fim, se entregou

Ela chegou num remoinho
e abanou o seu coração
Falou do futuro, alegre,
olhando um postal de Paris
e cantou feliz, gravando, a sua canção

Rasgou-se-lhe o peito e o céu choveu noites sem fim
Ele deu-lhe a mão e tentou acender flores
Abriu um abraço e deu-se como queria, por fim
Mas sem nunca lhe conseguir afastar as dores

Ela chegou com o passado atrás de si
Ele fechou os olhos, e fingiu,
embalando-os, que não o viu
As noites frias acenderam fagulhas
e arranharam-lhe bem fundo muitas palavras cruas

Ela pediu-lhe espaço, tempo e paz
com um tom grave e frio na voz
Ele tentou entender o que fazer,
mas perdeu-se no escuro que o silêncio faz
E esperou que novamente ela o decidisse querer

Chegou decidida depois do tempo que passou
Abriu-lhe um abraço onde ele se entregou
Deu-se e recebeu-a em corpo e poesia
E, despido do mundo, ao seu lado se deitou
numa calma e meiga suspirada melodia

Ele sentiu o vento norte nas suas velas soprar
e as palavras, ainda a arranhar
e o passado sempre a avisar
na maresia salgada das lágrimas que choveu
nos tantos anos que sem ela viveu

Ela chegou depois do tempo
Com o corpo dele dela sedento
mas sem calor suficiente para a acalmar
nem tempo, nem paz, para a abraçar
Apesar de hoje e sempre a continuar a amar

Liliana Lima




domingo, novembro 05, 2017

chuVA

Não te vejo por entre a chuva que cai nos espaços das linhas que seguram as palavras que repito.
Lê!

Não te sinto por entre as letras que formam as palavras que repetidamente te explico.
Ouve!

Não te oiço por entre os vocábulos, vazios de tantas vezes repetidos, que me esforço por escrever.
Sente!

Não te encontro por entre os sentimentos que se repetem como a chuva que já me banha muito para além dos olhos.
Entende!

Não te peço outra vez que me entendas, se já to repeti vezes sem conta.
Vê!

Não te explico nem mais uma palavra, destas linhas em que me repito letra após letra após dia após ano (já lá vão quantos?!)
Pára!

Não me vejo por entre a chuva que cai nos espaços das linhas que, repetidamente, seguram as mesmas palavras que novamente te dirijo. 
Olha!


Não me deixa o cansaço desta repetição

Não encontro a saída de outra repetida discussão 

Não consigo fugir ao repetir deste sentimento de frustração

Não me deixa o cansaço doutra repetição

Não te encontro no final desta repetida frustração 


Não nos vejo por entre a chuva que cai...


Liliana