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sexta-feira, novembro 10, 2017

pA.cI.êN.cI.A


pa·ci·ên·ci·a
(latim patientia, -ae)

substantivo feminino

1. Capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades.

2. Sossego com que se espera uma coisa desejada.

3. Perseverança.

4. Demora nas coisas que se deviam executar prontamente.

5. Sofrimento em pontos de honra.

6. Passatempo ou jogo de uma pessoa .

7. [Botânica]  Labaça.

interjeição

8. Designativa de resignação, conformidade.
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pA.cI.êN.cI.a

Paciência, pedes-me tu.
Outra vez. Mais uma vez.
Toda a do mundo
digo-te eu. Repito eu.

Quanta paciência o mundo tem?
Pergunto eu a Jó
que me olha com desdém
ao cimo de uma nova subida.

Jogo de cartas, diz minha mãe
sorrindo debaixo de uma libelinha.

Sofrimento, sofrimento, sofrimento...

Procuro o sossego da espera.
Debaixo da almofada
não encontro nada.
  As bolinhas brancas  
  deste frasco fechado na gaveta
recusam-se a tolerar
a dor de cabeça que se demora
debaixo de uma libelinha.

Sofrimento, sofrimento, sofrimento...

Paciência, dizes-me tu.
Jogo de cartas, sorri minha mãe.

Peço a Jó que me deixe jogar 
a sua resignação
no tabuleiro do meu tempo.
Olha-me com desdém 
ao fundo de mais uma hora
que passa a ser dia
e se repete em semanas
que se demoram
nas Damas de copas 
que conversam debaixo de uma libelinha.

Resignação, resignação, resignação
Jogo de cartas, repete minha mãe


Liliana Lima
 

segunda-feira, agosto 07, 2017

PeRtO

Olho-te de tão longe...
Sinto-te em cada palavra
Vejo-te em cada letra
Oiço-te em cada espaço

Olho-te de tão longe, 
De repente tão perto nesta singela frase
"Também gosto de ti"
E a lua, cheia, que ilumina a distância 
A trazer-me o silêncio da suspresa repetida
A cada vez que te leio

Olho-te, assim, de tão longe 
Nas palavras que cheiram a ti
Nas frases a que me agarro para chegar aí
Onde me dizes que gostas de mim

Olho-te daqui, onde 
A lua te traz em tudo o que escreves
A distância encurta e ilumina o sorriso
E a surpresa se repete e ecoa na noite

Olho-te de tão longe 
E sei-te tão perto...


Liliana 



segunda-feira, agosto 01, 2016

AlemTejo

Despes-me pétala a pétala, deitando o caule sobre as planícies douradas no final de mais um dia de Verão.

Tapo-me com as espigas que ondulam ao passar da tua aragem.  Aqui e ali as papoilas nascem e pintalgam o horizonte de vermelho. São o meu desejo que desponta nas curvas recortadas pelos acobreados que inundam o céu.

Ao fundo o teu vento entra por entre as searas e ceifa os campos, deixando um sulco de terra húmida que rasga os caminhos e penetra nos vales.

As papoilas soltam as pétalas vermelhas que esvoaçam e dançam com o vento que arrepia as searas desnudadas ao luar.

Sou caule e planície, e espero-te em cada espiga para aprisionar o teu vento, atrasar a ceifa e te fazer terra onde, semeada por ti, renasço.

O fim do dia agita os pássaros que voam em círculos e enchem o espaço com o seu chilrear. É nesse voo que, depois do Sol se esconder por completo e a Lua olhar o ondular dos campos húmidos e despenteados, nos encontramos, finalmente.

Com muito cuidado apanho as pétalas que espalhaste e entrego-te as espigas em que me deitei.

A Lua sorri enquanto todo o Alentejo adormece no silêncio prateado do nosso acordar.



Liliana Lima