Lembras-te que os caminhos
que hoje escolhemos
amarelos e seguros amanhã se continuam a desenhar?
Lembras-te de cada beijo
que as nossas bocas já têm
para dar?
Lembras-te das mãos
que ontem aprendiam a silhueta um do outro
e já nos afagam nas noites que vão chegar?
Lembras-te das manhãs
que vamos acordar?
Lembras-te como o teu corpo
húmido e cansado de trocar de corpo um com o meu
se enrosca em mim nos lençóis que vamos comprar?
Lembras-te das palavras
que em todas as conversas que partilhamos
já repetes de hoje em diante?
Lembras-te de cada zanga
que trocamos amiúde
por carícias futuras?
Lembras-te das velas
que vamos acender?
Lembras-te dos brincos
a condizer com o anel
que me vais oferecer?
Lembras-te das canções
que vais compor com os poemas
que vou escrever?
Lembras-te das lágrimas
que no teu ombro
novamente vou secar?
Lembras-te das noites
que vamos embalar?
Lembras-te dos sorrisos
que um com o outro
vamos trocar?
Lembras-te dos tantos concertos, filmes, peças
que de mãos dadas
vamos partilhar?
Lembras-te dos caminhos
sempre amarelos e seguros
que vamos calcorrear?
Lembras-te dos dias e das noites
que vamos viver?
Lembras-te de te lembrares
das memórias conjuntas
que vamos construir?
Liliana Lima
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quinta-feira, maio 16, 2019
MEMÓRIAS... do futuro
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terça-feira, outubro 25, 2016
neVOEIro
Em dias de nevoeiro, a outra margem do rio é apenas como a desenho
Pinto as casas de branco, as estradas de amarelo e recorto um arco no céu
Em dias de nevoeiro, a distância é apenas a que eu imagino
Reduzo a escala, diminuo o leito e zarpo num barco à vela
Em dias de nevoeiro, a ponte desagua na tua janela
Sigo o voo duma gaivota, entrego-lhe um beijo e peço-lhe que to leve
Em dias de nevoeiro imagino tudo o que não vejo, sinto tudo o que me apetece, acredito em tudo o que sinto
Liliana
sábado, agosto 13, 2016
sOU eu
Não é tua esta sombra que assombra o meu dia, meu amor.
Não é tua.
Não é teu este medo que eleva as ondas do meu mar, meu amor.
Não é teu.
Não é teu este mapa rasgado onde me perco, meu amor.
Não é teu.
Não é teu este poema que diz o que não diz, meu amor.
Não é teu.
Não és tu, meu amor.
Sou eu.
Liliana
Não é tua.
Guardo em mim a caixa de Pandora que abro a cada nascer do Sol. E dela tiro a ponta dos fios coloridos de algodão com que teço as teias por onde filtro as imagens do dia.
Não é teu este medo que eleva as ondas do meu mar, meu amor.
Não é teu.
Todas as noites de Lua nova rasgo o lençol com que não nos tapamos e coso uma nova vela com que, repetidamente, tento navegar até "lá para os lados do oriente".
Não é teu este mapa rasgado onde me perco, meu amor.
Não é teu.
Acredito na estrada de tijolos amarelos que me levará de regresso a casa. Mas nem sempre a consigo encontrar nas encruzilhadas da vida.
Não é teu este poema que diz o que não diz, meu amor.
Não é teu.
Desenho as palavras com que construo uma narrativa em caracol, que gira em roda de si própria fazendo-me perder e reencontrar numa tempestade de sentidos.
Não és tu, meu amor.
Sou eu.
Liliana
quarta-feira, agosto 03, 2016
LiBerDaDe
Procuro o caminho desenhado na areia por um puzzle de quadrados de madeira, pintada dum azul que denuncia os muitos Verões que por eles já passaram em busca do mar.
Descalço-me e, em vez de seguir pelos quadrados, decido recortar eu própria um carreiro. Quantas vezes me perdi por não construir uma nova estrada para mim.
Avanço por entre o mato, contornando os arbustos e descobrindo outros trilhos rasgados, antes de mim, na areia. Ando sem medos nem receios e desaguo no limiar da falésia.
Em baixo apenas as escarpas amarelas da arriba fóssil que se desfazem em areia que descolora até, branca, entrar no mar. E o céu, azul, este forte e vivo, que mergulha no mar e não deixa encontrar a linha do horizonte.
Aqui, no cimo da falésia, onde finco os pés na terra e abro os braços ao vento, sou livre. Não trago o peso dos dias nem os ecos das noites.
Aqui, no alto da arriba, sou. Apenas eu. Estou. Apenas o momento. Sinto. Apenas o vento. Saboreio. Apenas a maresia. Vejo. Apenas o mar. Quero. Apenas tudo!
Olho para trás e vejo o caminho de madeira, pintada de azul há muitos Verões, e o trilho que acabei de abrir.
Inspiro fundo e desço as muitas escadas cravadas na areia. Aqui em baixo não há tempo nem espaço, faço parte da praia e a praia sou eu.
Procuro um caminho marcado na areia em busca do amanhã. O mar balança e numa onda dançada diz-me, sorrindo, que tenho em mim todos os caminhos do mundo…
Liliana Lima
quarta-feira, janeiro 27, 2016
Terra do NUNCA
Onde foi que tropecei e deixei cair o xaile, ficando com os ombros ao frio?
Como foi que parti o relógio, ficando perdida nas horas descompassadas?
Porque foi que me perdi do caminho amarelo que trazia no mapa?
Ajuda-me a passar por cima do remoinho onde me vejo afogar.
Ajuda-me a não me ferir nas arestas que, afinal, sempre aqui estiveram.
Ajuda-me a olhar o horizonte evitando enfrentar o Sol.
Ajuda-me a pintar o mar sem deixar entrar, à força, a maré.
Ajuda-me a avançar sem carregar o peso das certezas antigas.
Ajuda-me a sorrir para o espelho sem lhe ver o que não quer mostrar.
Ajuda-me a dizer de mim, para não me amordaçar.
Ajuda-me a estar sem este peso apertado, este aperto pesado.
Ajuda-me a afastar esta zanga, de querer ao nunca chegar.
Ajuda-me a sorrir
Ajuda-me a cantar
Ajuda-me a ver
Ajuda-me a sentir
Ajuda-me a dançar
Ajuda-me a ser
Sem sombras
Nem medos
Sem fantasmas
Nem medos
Sem entrelinhas
Nem medos
Sem mágoas
Nem medos
Ajuda-me, sem medo.
Liliana
Como foi que parti o relógio, ficando perdida nas horas descompassadas?
Porque foi que me perdi do caminho amarelo que trazia no mapa?
Ajuda-me a passar por cima do remoinho onde me vejo afogar.
Ajuda-me a não me ferir nas arestas que, afinal, sempre aqui estiveram.
Ajuda-me a olhar o horizonte evitando enfrentar o Sol.
Ajuda-me a pintar o mar sem deixar entrar, à força, a maré.
Ajuda-me a avançar sem carregar o peso das certezas antigas.
Ajuda-me a sorrir para o espelho sem lhe ver o que não quer mostrar.
Ajuda-me a dizer de mim, para não me amordaçar.
Ajuda-me a estar sem este peso apertado, este aperto pesado.
Ajuda-me a afastar esta zanga, de querer ao nunca chegar.
Ajuda-me a sorrir
Ajuda-me a cantar
Ajuda-me a ver
Ajuda-me a sentir
Ajuda-me a dançar
Ajuda-me a ser
Sem sombras
Nem medos
Sem fantasmas
Nem medos
Sem entrelinhas
Nem medos
Sem mágoas
Nem medos
Ajuda-me, sem medo.
Liliana
sexta-feira, outubro 05, 2012
Caminhos
Cansada de procurar bifurcações no decurso da estrada,
sento-me na beira e recuso-me a avançar.
Não vou,
mas não fujo para dentro da sala em forma de concha com o mar a embalar os sonhos.
Não vou,
mas não conto a história de pernas para o ar para agitar o chão e mudar o caminho.
Não vou,
mas não minto a mim própria, olho para a frente e sei que caminhas longe das estradas, por entre as dunas, onde o vento te sussurra e o sol te aquece.
Cansada de tropeçar nas bifurcações da estrada,
olho para o caminho que fiz.
A cada passo uma curva.
A cada passo um desvio.
A cada passo um precipício.
Sento-me à beira da estrada cansada,
e olho o vazio que se me apresenta.
Procuro no bolso as migalhas dos sonhos impossíveis com que vou marcando no chão o caminho de regresso.
Para se um dia conseguir voltar.
Liliana
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