terça-feira, outubro 13, 2015

aBrAçO

Eu sei que estou, aqui, tantas vezes 
pintando nas águas do rio o teu reflexo do meu querer 
Eu sei que te acordo e te atordoou e te chamo e te puxo
do sítio onde, tantas vezes, não estás 
Eu sei que sinto e vivo e rio e choro 
os sorrisos e as lágrimas 
que, tantas vezes, não chegam a ti
Eu sei que, o que sentes e respondes e dizes,
é, sempre, 
o pleno reflexo do sítio onde, 
afinal, 
sempre estiveste 
Eu sei que tenho o condão de ler nas
palavras
o seu lado mais bonito, o seu poder utópico 
que, quase todas as vezes, não espelha toda a verdade 
ou pesa, 
tantas vezes, muito mais que a sua vontade 
Eu sei que, se, depois das mãos enlaçadas, os olhares trocados, as bocas humedecidas, os corpos trocados, os momentos tantas vezes vividos e partilhados, 
não estás, 
jamais estarás 
Eu sei que, muitas vezes, 
te culpo 
por não sentires
não partilhares
não chamares
não estares 
não responderes 
não viveres 
o tanto que te vivo
Eu sei que, nessas vezes, esperneio, resmungo, amuo, regateio, analiso, descrevo, vejo, percebo, sinto, entendo
Eu sei que, 
todas as vezes, 
estás mesmo aqui 
como podes estar e
com o que tens para dar 

eu 
sei 
que, 
todas 
as 
vezes,
é
no 
teu 
abraço 
que 
vou
ficar 


Liliana 





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