sábado, setembro 12, 2015

NÁU.frago

Perdoa as palavras amargas, pesadas, que escurecem os dias e arrefecem as noites.
Perdoa
Perdoa a ansiedade, inquietação imensa que me alaga os sentimentos náufragos que não consigo evitar.
Perdoa
Perdoa o travo acre da insegurança que ecoa no fundo dos copos das conversas mudas.
Perdoa
Perdoa a interrogação eterna dos silêncios que gritam à noite e da dúvida que os embala num choro infantil.
Perdoa
Perdoa o corpo rígido, cansado, a invontade de avançar e a palidez dos passos do fim-de-dia.
Perdoa
Perdoa este sentimento à desgarrada, que me faz saltar o coração e me embarga a voz e me baralha os sentidos.
Perdoa
Perdoa este querer que força a minha presença e impõe o meu estar.
Perdoa
Perdoa esta força que prende o meu ao teu olhar.
Perdoa
Perdoa o desejo húmido, alado, deste meu corpo que deito ao teu lado.
Perdoa
Perdoa este amor que não pediu para ser amado.


Liliana

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