domingo, setembro 27, 2015

AMA.ndo

Como acompanhar um passo que se arrasta sem rumo ou rota?
Como agarrar uma mão que se deixa seguir pendurada, mão morta sem bater em nenhuma porta?
Como sorrir para um olhar vazio, que foge da íris colorida sempre que se pode esconder no cinzento Outonal?  
Como beijar uma boca fechada, que cerra os lábios ao travo silvestre dos frutos vermelhos?
Como aquecer um corpo que se deixa secar, obrigando-se ao calor da travessia do deserto apenas para por lá se perder?
Como acolher uma mágoa cultivada e cuidada no quintal das emoções e regada com as lágrimas de cada madrugada?
Como aconchegar um sono que não se deixa embalar, mantendo-se acordado no sonho, só, das noites de lua nova?
Como preencher um espaço ocupado pelos fantasmas que são alimentados à boca a cada aurora?
Como partilhar o hoje com uma vida que se recusa virar costas ao ontem e procurar o amanhã?
Como alimentar um amor nascido numa peça que, tocada por duas, foi, na realidade, composta para quatro mãos?

Como?
Acompanhar um passo...
Agarrar uma mão...
Sorrir para um olhar...
Beijar uma boca...
Aquecer um corpo...
Acolher uma mágoa ...
Aconchegar um sono...
Preencher um espaço ...
Partilhar o hoje ...
Alimentar um amor...
Como?

Amando, amando, amando

Liliana


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