segunda-feira, agosto 03, 2015

uTOPia

A areia amarelo-torrado das arribas que aconchegam a praia, dança em pequenos remoinhos trazidos pela brisa do mar. Corre pelos recortes a pique e conta-me histórias de tempos há tantos e tantos Sóis iluminados que só mesmo a brisa pode lembrar. Deitada no areal amarelo-muito-claro, oiço e cheiro e sinto as vidas há tantas e tantas luas vividas aqui, na praia que as arribas aconchegam.

No meio de tantas, uma história faz-me concentrar os sentidos para não a perder céu acima. Dizem-me das desventuras duma ilha que se queria cumprida e um dia se descobre desde sempre adiada.  Conta-me o mar que apenas no horizonte ela encontrou consolo mas que, por ciúme, o Sol lhes lançou um feitiço e logo que se juntaram se transformaram numa linha inalcansável.

As ondas acalmam para o mar tornar mais escuro o seu azul e a areia molhada diz-me para olhar em frente. Lá ao fundo, onde o céu e o mar se misturam, consigo avistar o horizonte e a utopia. Juntos formam uma linha que se estende à minha volta e me diz em segredo que a utopia se quer assim, inteira, realizada, feliz. Alcançável, apenas em noites de lua nova e por alguém capaz de sonhar um sonho que, à falta da lua, ilumine o céu e, reflectindo no mar, a destape do breu.

Então e os outros? Pergunto eu. Nós que também te procuramos e protegemos e alimentamos? Responde-me que todos os vierem virão por bem e ela estará sempre presente para os que, acreditando, a saibam na linha em que o mar se mistura com o céu, para orientar as nossas rotas. 

Liliana 

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