quarta-feira, maio 27, 2015

LaBiRiNtO

Não quero.

Não quero ver tanto, quase tudo, longe do pouco que me traria a paz num ramo de oliveira.
Não quero!
Não quero olhar pelas janelas dos olhos e, como se no Matrix, ver o cenário perfeito, os actores bem caracterizados e as falas memorizadas, a par do próprio Oz.

Não quero.

Não quero sentir em mim o tudo que, não me pertencendo, se me impõe a cada vez que me aproximo.
Não quero!
Não quero prever o voo da borboleta que agita as suas asas no outro lado do globo e me arrepia, aqui, no meio do verão.

Não quero.

Não quero a banda-sonora dos dias, tocada em surdina só para mim, na velha sala do cinema paraíso de onde vejo o correr das horas.
Não quero!
Não quero ouvir as palavras não-ditas(mal-ditas) por entre os espaços das pronunciadas, essas tão audíveis e bem conjugadas.

Não quero.

Ah! Não quero!
Quero menos, muito menos!

Queria sim olhar o céu e ver apenas as andorinhas que invadem, finalmente, a cidade.
Queria ver no teu sorriso nada mais para além da sua própria beleza.
Queria ouvir nas palavras sussurradas absolutamente mais nada senão elas mesmas.
Queria aceitar as escolhas dos dias sem lhes saber os mapas astrais.
E queria, também, perder o medo dos silêncios e não os sentir labirintos de intenções e interpretações.

Quero.

Quero apenas pela quase certeza de que seria mais feliz.
Quero porque o meu mundo seria, acho que seria, menos complicado se não conhecesse de antemão o feiticeiro, e aquele coelho que todos os dias vejo passar apressado, penso que atrasado, correndo por uma estrada de tijolos amarelos.


Liliana

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