quarta-feira, dezembro 03, 2014

porta ao la.do

Na porta ao lado estão duas pessoas, frente a frente, cheias de vida, despidas das mascaras do dia-a-dia, na porta ao lado.

Na porta ao lado ecoam palavras destemidas longe da timidez normal das que só se lêem olhando para as entrelinhas, na porta ao lado.

Na porta ao lado os silêncios são cúmplices sem arestas dolorosas ou sombras duvidosas, na porta ao lado.

Na porta ao lado os corpos não se escondem para se aproximar e tocam-se com a naturalidade só possível aos que se dão sem dúvidas ou hesitações, na porta ao lado.

Na porta ao lado também há dores e lamentações resolvidas com a certeza da verdade nua e (mesmo que) crua, na porta ao lado.

Na porta ao lado, nem sempre a presença é constante, mas o vazio conhece o sabor tranquilo do regresso e não acende medos nem inquietações, na porta ao lado.

Na porta ao lado as mãos entrelaçam-se sem receio de acordar compromissos implicitamente aceites com o simples gesto de abrir... a porta, na porta ao lado.

Na porta ao lado os gestos são decididos e não questionam a sua legitimidade a cada passo, na porta ao lado.

Na porta ao lado, não existe tecto nem chão nem paredes nem janelas, porque não existe... a porta ao lado.


Liliana



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