sexta-feira, dezembro 19, 2014

PlaTeia

Estou aqui,
                    no centro do palco,
onde a plateia se confunde com as personagens.

Estou.

Entrei agora e sei que aqui tenho de ficar,
no meio duma peça sem guião
na qual não quero entrar.

Estou mas não sou.

Não me confundo com o cenário,
não gosto do guarda-roupa
e
não conheço as minhas deixas.

Aqui.

Olho à minha volta,
enrolo-me nos joelhos e
embalo-me
com as minhas queixas.

Estou.

Procuro uma imagem real
nas caras
com que me quero identificar.
Mas os olhos que me tocam são
puros,
só eu preciso de me mascarar.

Afinal.

Sou a plateia e a actriz
que desempenha o seu papel real,
numa peça
onde se confundem
o medo
a insegurança
e o surreal.


Liliana


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