domingo, novembro 23, 2014

SEI - te

Pego-te na mão,  pequeno que te quero, na ânsia de não te ver correr para fora do mundo que conheço. 
Sim, sei-te com vontade de descobrir o mar e brincar com as ondas que dançam com o teu corpo. Sinto-te inquieto olhando as conchas deitadas na areia macia que te toca os pés quando te descalço. Percebo a necessidade de entrares no barco e velejar à volta dum mundo tão maior que o que tenho para te dar.

Pego-te na mão baloiçando entre o não te querer deixar voar e o entender que é essa mesma a minha obrigação - dar-te asas.
Dou-te um balão colorido para saber de ti, pequeno que te quero, ao seguires sorridente em busca das mil e uma noites. Embrulho-te numa capa para te proteger do frio dos ventos marítimos. E, contigo à porta de olhos meigos e coração decidido, despeço-me em silêncio que as palavras embargam-se-me na garganta.

Pego-me na mão,  pequena que me sinto, e olho o rio que não me conta de ti.
Suspiro, triste na minha noite, e peço às estrelas que te velem o caminho. Sento-me na ponta da cama e um pano negro cobre-me a razão. Escorre-me a chuva dos olhos e, por momentos, vejo-me sozinha no quarto olhando o balão que deixaste colado ao tecto.

Sim, sei-te descobrindo portas e abrindo janelas que há muito te esperam. Percebo, que sabes que podes voltar. Inquieto-me, na possibilidade de preferires ficar.


Liliana



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