segunda-feira, maio 12, 2014

fantasmas

Apago a luz e fecho a porta sempre que me dás a mão, não sei se para conter o mundo lá fora se para deixar de me ver.

Entro devagar para fora dos fantasmas antigos e troco-os pelos que acabei de conhecer. Aqui no escuro, entre mim e ti, no espaço cada vez mais ínfimo que separa os nossos corpos, procuro deixar de me ver.

Fecho os olhos e vejo as tuas mãos que percorrem o meu corpo com a certeza de quem já conhece o mapa astral e identifica cada constelação noturna. Procuro-te entre os lençóis e por entre os suspiros que dançam no ar e, quando os meus lábios encontram a tua pele, escolho deixar de me ver.

Apago a luz e fecho a porta sempre que te dou a mão, não sei se para conter o mundo lá fora se para te tentar ver.

Liliana



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