quinta-feira, março 13, 2014

Kiko

Nasce-me o dia com um sol que não me convida a sair. Levanto-me, pego nele, puxo de um lado, aperto do outro, ralho, e corro contra os minutos que, inalteravelmente, nos ultrapassam ainda na cozinha.

Saio para o dia onde não quero estar, onde não me apetece ser. E corremos ainda com o teu sorriso que me impele e me empurra para avançar através do jardim e espantar-me com coisas tão triviais como uma folha torta ou um pau em V.

Sempre a correr que a vida é curta e os afazeres muitos. Chegamos. E de repente voltas a bebé, enrolas-te em mim, queres ver-me até entrares na porta ao cimo das escadas. E desapareces para um mundo onde, pela primeira vez não faço parte, um mundo onde és tu quem cuida de ti, te defende e te embala nos momentos de dor.

E eu... volto para o dia de sol, onde nada faz sentido, agora que, também tu já sabes ir embora.

Liliana




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