terça-feira, dezembro 10, 2013

Marés

Não te faças ao mar sem que todas as estrelas se alinhem no horizonte da lua.

As correntes trocam de caminho ao sabor dos ventos, que nada nos querem, que de nada nos sabem e fazem o barco navegar à deriva.

Este mar que nos leva, nos surpreende e nos prende, de nada nos avisa ao mudar a rota dos nossos planos tão alinhados nas estrelas do luar. Tão perfeitos. Tão cuidados. Tão estudados.

E ficamos sem terra no centro da bússola que nos baralha e engana no velejar, desviando o astrolábio que nos mostrava o caminho por mar.

Não, não te faças ao mar que o regresso pode ser penoso e sem data para voltar.

As velas baloiçam enquanto suspiramos, aflitos sem direcção, não as prendemos, não as recolhemos, não as reconhecemos.

E o barco balança qual filho embalado no berço da dança do corpo da mãe.

As únicas companheiras, a lua, as estrelas, que apesar de nada nos dizerem, são esperanças e esperas.

Não te faças ao mar que nem lua nem estrelas nem maré nem velas nem embalo nem mãe te afastam os problemas.

Liliana



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