quinta-feira, novembro 07, 2013

Loucura



Sou filha da loucura e da insanidade

e com elas me perdi no fundo da minha verdade

Sou filha da loucura e da insanidade

fogo que guardo em mim até à eternidade



Da loucura ficou a mágoa,

cavalo correndo sem fim

numa pista amarga e solitária,

sem ventos, moinhos ou lembranças de mim



Da loucura resta esta chave,

que escondo com medo que abra

a mala de ferro, que tapo

para que de dela não salte a verdade



Mas nem tudo foi só tristeza,

pois é complexa a nossa essência

Da dualidade vivida, nasceu o terror

de perder a visão da resistência

travada com violência e rancor,

contra as formas falsas da aparência



A insanidade jogou as cartas trocadas

e no tabuleiro viciado deixou desnudadas

a verdade e a mentira que foram violadas



O preço do jogo foi de tamanha quantia

que a alma vendida, jamais, algum dia

se virou contra a voz que lhe dizia

não ser verdade o que via, apenas o que dela ouvia



E na manta de retalhos escrevi

nada do que vivi ou senti,

pois ainda hoje oiço a voz que me diz

ser mentira o que penso que fiz



Sou filha da loucura e da insanidade

e com elas, um dia, avistarei a tranquilidade.



 

                                                                       Liliana
Abril 2005 


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