terça-feira, dezembro 11, 2012

Da praia deserta

Nas rodas dentadas do relógio
que comanda a vida,
vais aparecendo aqui e ali,
como que lembrando que existes 
sem te aproximares
o suficiente para seres.

Nestas rodas me perco
sem saber se avanço ou me afasto, 
se te espero ou te apago. 
Danço com os ponteiros 
num tango a muitos tempos, 
que parecem demorar 
décadas a passar.
Há silêncios. 
Há abismos. 
Há tanto mar 
por navegar, 
que, se pensar devagar,
ao ritmo das rodas dentadas, 
consigo perceber que dificilmente
algum sonho vai sobreviver.

Depois vejo-me aqui, 
descalça na areia molhada 
pelas ondas dos dias 
que passam tão iguais 
e oiço, ao fundo, 
o relógio das rodas dentadas. 
E há um horizonte 
sem fim 
de areia 
e mar 
e pôr do sol... 
e eu.


Liliana


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