terça-feira, setembro 18, 2012

Silêncio


Procuro-te por entre as horas do dia mas não encontro nada.
Podia jurar que te deixei aqui, mesmo ao lado dos filhos e da escola e do trabalho e da casa e das esperas e da saudade, mas não estás em lado nenhum.

Um silêncio ensurdecedor espalha-se por toda a casa apertando-me o peito.

As fotos das horas alegres apagam-se nos móveis e um vazio baço ocupa o teu lugar. 
Estendo a mão na cama em busca do teu corpo, mas estou só. 
Os lençóis ainda quentes e as memórias penduradas no roupeiro são a única prova de que não te sonhei.

Chamo-te, mas a minha voz ecoa num muro silencioso que parece dividir-me do resto do mundo.

As palavras que dissemos rodam ainda no tecto e, por toda a casa, o teu cheiro perdura. 
A noite conta-me dos nossos corpos que se entrelaçavam, ainda agora, nesta mesma cama onde me deito sozinha. 
Procuro-te por entre as horas da madrugada, mas a lua não te ilumina o rosto. 

Espero-te no escuro, perco-me no silêncio, e reconheço-te em cada virar de esquina ao tropeçar numa memória.

O silêncio mata as palavras, escurece as fotos, arrefece os corpos. Mas não apaga o fantasma de ti que sobrevive dentro mim.

Liliana




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