sexta-feira, junho 29, 2012

Estás?

Aqui estou.
Não sou nem existo sequer, para além do meu ser físico.
Estou.
Apenas.

Nada de mim sai.
Não dou absolutamente nada que, por reflexo, não seja oferecido ou, por ausência, me seja exigido.
Estou.
Somente.

Não me entrego porque não sei de mim. Não há mar em mim onde algum navio possa viajar. Estou seca.
Estou aqui, como poderia não estar.

Sei-me ao teu lado porque te cheiro. E a tua voz me diz onde estou.
Misturo a noite com os dias que correm sem içar as velas, como quem agita o gelo num copo duma qualquer bebida áspera.
Às vezes duvido se sonho ou se os sonhos me inventam a mim.

Só sei que estou...
Só.

Liliana


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