quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Da urgência de seguir

Sigo, com a rosa-dos-ventos mal colocada e os pontos cardeais trocados. Avanço. Não sei se para Norte se para Sul, mas sei que não paro não baixo os braços não me deixo ficar.

Há uma urgência em mim que me pede para continuar, ainda que o escuro das noites de Lua nova me envolva os sentidos e me tolde a visão. Avanço apesar das ondas, contra as minhas expectativas, sem remos nem vela.

Que vontade me faz andar, sem mapa nem bússola?
Que destino procuro, sem querer saber dos caminhos, cruzamentos ou desvios?
Em que rio navego sem me preocupar com os baixios ou marés?

Onde vou?
Onde quero ir?

Saberei, sequer, se existe essa ilha que projecto numa tela feita vida, que uso depois como pano de fundo do meu dia-a-dia?

Sigo, iluminada por uma Lua que não se deixa fotografar...
Sigo, rasgando os mapas e despindo as convenções...
Sigo, apesar da rosa, dos ventos, das marés, das ruas e estradas, dos rios e oceanos...

Sigo.

Passo a passo vou fazendo este caminho, desenhado pelas estrelas e orientado pelo sonho.

Continuo porque sou.

Liliana



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