domingo, julho 03, 2011

Das noites sem lua...

Hoje não se vê a lua. O céu, cinzento, quebra a sua luz branca que embeleza as figuras em esguias sombras e banha a cidade com um brilho cintilante.

O rio afaga as margens timidamente, escondendo o beijos e os abraços próprios da noite. E os amantes, comuns peões que descem as ruas até às docas aproveitando a brisa e o calor das águas que ondulam inspiradamente, também eles estranham o cenário que arrefece os amores e resfria as paixões.

A cidade pinta-se de cores neutras e nem o verão se atreve a espreitar a noite.

Um carro sobe a calçada, indiferente à aparente indiferença de todos os sentidos. Pára em frente a um prédio e alguém sai e toca à campainha de forma decidida e firme, embora as pernas bambas desvendem um certo nervosismo. Sobem-se vários lances de escadas e uma porta de madeira abre-se. Lá dentro, e apesar do ar frio que entra pelas janelas abertas, os corações estão quentes e batem em sobressalto enquanto se unem.

A neblina continua a cobrir a cidade e a lua, escondida pelas nuvens, parece apagada. No entanto, no meio nas casas e dos carros parados e dos jardins vazios e das ruas desertas, uma luz forte parece brilhar e o som da paixão invade todos os caminhos que desaguam no rio. Então, disperto pelo amor, o Tejo atreve-se a abraçar as margens e elas deixam-se embalar nas suas ondas e os casais voltam a ser amantes.

A cidade acorda apesar do cinzento e do nevoeiro, e o amor entra em todas as janelas juntamente com o ar fresco da rua.

Indiferentes à aparente indiferença do mundo, um homem e uma mulher num prédio qualquer, dentro duma casa com uma porta de madeira amam-se no segredo duma noite sem lua.


Liliana


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