segunda-feira, junho 27, 2011

Não sou uma Princesa...

Procurei um cavaleiro, um principe, um herói... daqueles que nos salvam de todos os apuros, desde um assato à mão armada num canto escuro da cidade, a um furo num pneu na estrada mais quente do interior, até à tristeza indizível de não cabermos naquele vestido especial que nos ficava tão bem...

Procurei um cavaleiro que me encontrasse no meio da floresta dos anos e me levasse de volta aos campos dourados pintalgados do vermelho das papoilas...

Procurei um príncipe que chegasse quando mais ninguém chegou e, com um sorriso leve e um beijo enbriagante, me sentasse no seu cavalo branco e me acolhesse no palácio mais bonito de toda a região...

Procurei um herói capaz de me ler os medos e afastar os fantasmas que, à noite, me atormentam, enquanto se sentava à minha cabeceira sempre que, mesmo ao longe, me soubesse a chorar...

Na verdade, procurei o cavaleiro andante, o principe encantado o herói ideal... mas não percebi que eu... Eu, não sou uma donzela em apuros... Eu, não sou uma princesa adormecida.

Agora, que me olho ao espelho e me vejo claramente, sem vestidos vaporosos ou penteados perfeitos, sei-me apenas eu... no corpo marcado pelo avançar do relógio, nos cabelos descorados pelos sóis que não param, nas olheiras das noites em branco...

Se o cavaleiro não veio, foi porque nunca o chamei, nem saberia como.
Se o principe não chegou, foi porque nunca me deitei à espera do seu beijo, nem conseguiria ficar parada.
Se o herói não me salvou, foi porque fui capaz de me ir salvando sozinha, e não o fazer ser-me-ia impensável.

Agora que me olho ao espelho (malvados espelhos que raramente nos dizem a verdade), percebo que não sou, e nem quero ser a Cinderela, quero - apenas - e só - ser eu.


Liliana

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