terça-feira, maio 17, 2011

Vês-te ao espelho, Suzy?!

Sorri! Deixa agora as palavras saírem devagar num tom baixo. Mantém a cara alegre, e lembra-te, a desdita não se diz.

Endireita as costas e vai buscar aquela saia colorida e rodada que ondula com a brisa primaveril. Deixa-te envolver no perfume do costume e está o embrulho feito - podes sair!

Aproveita o sol que ajuda os falsos sorrisos a manterem-se ao de leve. Olha o rio e inspira-te neste momento tranquilo. Será
isto a calma? Esta máscara que elegantemente seguro, combinada com a permanente inquietação que me cobre a cara como a base da pintura? Ou esta é a calma que imprimo no espelho onde me olho com força até deixar que seja ela (a imagem do lado de lá) a avançar comigo atrás, como sombra ou reflexo?

Subo a calçada com a confiança, que não tenho, marcada em cada passo. Aprendi a andar em cima da passarele, aqui ao menos não há público.

As montras gritam as imagens que mostram uma mulher triste, inquieta, só. Mas a minha ilusão mantém-se firme, tranquila e bem-disposta.

Por vezes chego mesmo a esquecer-me de qual sou eu e quem é "ela". Seria tão mais simples ser assim, só imagem, reflexo dum sentimento, sugestão duma forma de ser. Leveza.


Liliana





Do Livro "Espelho" de Suzy Lee
(Editora Gatafunho


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