segunda-feira, maio 16, 2011

Da força dos sonhos...

Onde nasce o desejo que se infiltra nas horas dos dias e se multiplica nos minutos das noites?
Onde mora a vontade que nos nos faz querer parar os ponteiros, desligar os relógios e apagar as agendas?
De que se alimentam os sonhos que nos fazem levantar e sonhar acordados?

Como reconhecer um desejo que se conjugue com a nossa vontade e consiga gerir relógios e agendas para, em paz, se darem o tempo necessário para se conhecerem, e se perceberem um no outro?

E quando, nem horas nem noites nem agendas, dão espaço ao sonho? Como o deixar voar e sobreviver nas cidades onde os carros não param e os sinais, toda a noite ligados, lembram as luzes natalícias?
Como resistir a um silêncio negro que encobre a luz da promessa dum sorriso, sem a mancha dum abandono?
Como não desistir da vontade no meio duma luta desleal entre as 12 horas em que os relógios giram duas vezes por dia?
Onde ir buscar a força para continuar a desejar o que ontem se perdeu no meio duma agenda sobrecarregada, sem mágoas nem desilusões?
Como fazer nascer o desejo a vontade e os sonhos quando tudo seca e a água dos olhos já não é suficiente para regar as flores que nos rodeiam, neste jardim imaginado onde andamos descalços?

Onde nascem os desejos, que por muito que lhes falte o ar, sol não brilhe, nem sejam regados, permanecem quietos e silenciosamente persistentes?

Onde mora a vontade que nos faz correr atrás dos sonhos, mesmo que impossíveis?

Liliana

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