sábado, maio 14, 2011

Das teias que nos ligam...

Há uma linha invisível que nos liga uns aos outros. Teias que se tecem como quem borda colchas com feitios e caminhos que cruzam por entre nós. As teias tecem-se por mim e por ti e, na verdade, há um inteiro universo de feitios e ligações que desconhecia(ço).

Há pouco senti uma linha que nem via por entre as outras chamar-me, puxar-me, mostrar-me que existia. Olhei para trás, espantada, vi uma porta, uma ligação que abriste de imediato. Sorri e olhei em volta, espantada com a teia que nos unia.

Desde esse dia, tenho mais atenção. Aos pequenos gestos, às palavras e aos abraços, sempre os abraços que também tu, mesmo de longe me foste dando. Sem fazer grande força ou alarido, bordaste uma manta entre nós que ficou com o teu calor, longe de perguntas ou juízos, apenas o calor de um abraço, que me deste agora quando me mostraste as linhas com nos coseste.

Mantas há que vejo e que bordo eu própria e, quantas vezes, em desespero de causa puxo e abano, chamando a atenção. Mas há portas que se fecham, outras que não abrem o suficiente, não por falta de vontade, por incapacidade, penso eu.

Na verdade, quando o medo aparece, perco muito tempo a bordar caminhos impossíveis quando, olhara eu em volta e veria a tua rede, a tua manta, a tua porta, que nunca pensei estarem tão ligadas a mim. É que há um conjunto de linhas invisíveis que, afinal, se cruzam entre nós...


Liliana


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