segunda-feira, maio 09, 2011

Lê-me e deixa-me ler-te...

Tu, que me lês. Estás sentado? Quero fazer-te uma pergunta.

Que lês, quando escrevo S-O-L-I-D-Ã-O? Em que pensas, quando no meio dum texto meu (se é que lhes posso chamar isso) encontras a palavra S-I-L-Ê-N-C-I-O? Que sentes quando escrevo que tenho M-E-D-O?

Sentado, na tua cadeira, olhas o ecrã e, através dele, uma parte de mim junta-se a ti. Porque sou assim, TRANSPARENTE (ou, se calhar, nem tanto)...

Na verdade, o que lês é filtrado pelas tuas ideossincrasias que, por vingança egoísta, tudo gerem à tua imagem e semelhança.

É assim contigo e é assim comigo. Somos todos vítimas de alguma maneira, das nossas redes internas de pensamento, julgamento e compreensão.

Por isso, entre nós haverá sempre este vazio irónico, que nos afasta aumentando a palavra V-A-Z-I-O que, inevitavelmente traz consigo a solidão e o silêncio que, a mim metem medo e, quem sabe, a ti são invisíveis ou até necessários.

Estou aqui sentada, enquanto te leio. Pergunto-me, o que serão para ti as palavras que escreves.

E no entanto, quando os dois juntos, mesmo sem palavras, tenho a certeza de que o vazio não amedronta e é no silêncio que, de facto, nos lemos...

Por que será que há dias que demoram anos a passar?!



Liliana

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