domingo, março 13, 2011

Vamos cantar no deserto...

Há um tempo que respira no meio dos riscos por onde os ponteiros do relógio saltam e jogam à macaca.
Há um espaço que vive entre o agora e o aqui onde as árvores descalças dançam a valsa com o vento norte.
Há um salto no escuro, para chegar a esse palco onde os personagens são as próprias palavras que ganham vida e se expressam em mil línguas.
Há um abismo imenso no qual se jogam os sonhos e as fantasias com apostas imaginárias em tabuleiros de xadrez.
Há um silencioso caos onde aprendemos a semear estrelas e pendurar luas, para que a noite não seja apenas a repetição da espera dos dias, mas um ninho de esperança que se renova a cada nascer do sol.
Há um segredo que se repete em silêncio entre cada dor, entre cada ferida. Repete-se como uma cantiga de embalar enquanto nos enrolamos em nós mesmos e cantamos "está tudo bem"...
Há um deserto que atravessa os dias, os maus e os menos maus, percorre o horizonte e deixa um rasto de areia pelo caminho que serve apenas para nos lembrarmos que ali está.

Há um tempo e um espaço que flutuam por entre desertos surdos e palavras silenciosas, onde alguns segredos curam feridas, as luas se transformam em sois e as esperas, essas, convertem-se em esperança enquanto as dores nos embalam, devagar, cantando no areal do horizonte.
Liliana


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