sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Que esconde o nevoeiro, Fernando?


Procuro-me no nevoeiro, ninguém me viu, ninguém me conhece, ninguém me dá a mão.
Visto-me de mil cores, arrisco, avanço, e recuo... não me encontro no meio da multidão.
Procuro-me pelas ruas dispersas da alma, procuro-me na minha solidão...
Onde estás quando preciso de ti por inteiro? Será que sentes que o meu coração chora, será que sabes que em silêncio te chama?
Porque persisto nesta busca em vão?
Procuro-me no nevoeiro que me cobre a alma. Procuro, vagueio, pergunto, anseio. Mas ninguém me viu, ninguém me conhece, ninguém me dá a mão.
Procuro-me por ruas dispersas e ao fundo vejo o Sol que se levanta. Visto-me de mil cores, avanço e recuo... perco a razão...
Procuro-me em silêncio no meio do nevoeiro, mas tudo é incerto, tudo é disperso, ninguém me conhece, ninguém me dá a mão.
Porque persisto nesta busca em vão?
Liliana Lima Nov/2008



"(...)

Ninguém sabe que coisa quere.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…


É a Hora!"


"Nevoeiro" de Fernando Pessoa (in Mensagem)

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