terça-feira, abril 12, 2016

caMinHo

Chega-te a mim e olha o rio comigo. Vês-nos ali, reflectidos nos espelhos reluzentes que o Sol ilumina? O que nós andámos para aqui chegar!
Ainda ontem um sorriso tímido, atrevido, uma palavra mais ousada entre outras tantas tão contidas, cuidadosas. 
Deste conta que aqui chegámos?

Chega-te a mim e dá-me mão, essa mão onde já cabe, perfeito, o meu coração. Espreita comigo pelo buraco da fechadura dos medos. Vês como fomos, um a um, embrulhando os meus na certeza de que o Sol sempre nasce, mesmo depois da mais escura noite de Lua nova? Como vamos desmontando os teus, sempre calados, velados ou disfarçados de falsas certezas?
Ainda ontem um quarto escuro onde as sombras, soltas de cada menino, saltavam à corda com as inseguranças de cada manhã. 
Percebeste que já aqui estamos?

Chega-te a mim e embrulha-me num abraço, daqueles onde me consigo enroscar longe de tudo e de todos menos de nós. Sentes como nos aproximámos muito para lá dos corpos que sempre se souberam um do outro? Como nos apendemos a ler e a reconhecer um no outro sem pudor de nos despirmos depois dos corpos nús, húmidos e amachucados?
Conheces o mapa que nos trouxe até aqui?

Chega-te a mim e olha o meu  rio, ouve a minha cidade e lê a minha Lua.
Sabes de onde viémos e onde estamos?
(não te preocupes com para onde vamos, isso só saberemos depois de aqui vivermos)

Liliana


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