sábado, março 28, 2015

Ar.co

As ondas, agitadas, batem no paredão e a marginal arrepia-se com a humidade salgada.
Lá dentro, na cidade, as árvores abanam os troncos e largam as folhas que, aflitas, voam com a força do vento.
No meu mundo os barcos balançam sem conseguir aportar e as gaivotas seguem atentas o meu andar desalinhado.
As palavras voam desatentas, despidas, veladas e enchem as ruas de desencontros que passeiam de mãos dadas.

Como seria, por uma só vez, ser arco e cobrir a cidade e as pessoas e as palavras e os barcos e os sentimentos e as águas e as árvores e as gaivotas de mil cores luminosas?
Pudera eu acalmar a tempestade e convencer o Sol a brilhar, e todas as conversas do mundo seriam claras como uma manhã de primavera.

A cidade olha-me de soslaio, como que pedindo para acalmar as palavras que, desorientadas atropelam o trânsito.
Do meu mundo, devolvo-lhe o olhar e peço, também eu, às palavras vento para se acalmarem e às água para se tranquilizarem e, por fim, deixarem os barcos navegar.

Pudera eu ser arco e na tua íris brilhar...

Liliana Lima


Enviar um comentário